Page 45 - SPEMD_60-4
P. 45

rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2019;60(4):189-196         193


              Esta nova categoria, segundo os investigadores, não deve   tais; doenças sistémicas; deformidades mucogengivais
           ser generalizada, atendendo ao facto de que existem inúmeros   (surge um modelo de classificação com 3 tipos de recessão
           designs de implantes diferentes, que consequentemente apre-  gengival com base no CAL interdentário); forças oclusais
           sente características de superfícies variáveis.     traumáticas; fatores locais, relacionados com os dentes e/
                                                               ou elementos protéticos. 17-19
                                                                 Ao ser introduzido um novo sistema de classificação, quer
           Proposta de fluxograma                              a nível universitário quer a nível de prática clínica, é necessá-
                                                               rio haver um período de adaptação aos novos conceitos que
           Para efetuar um correto diagnóstico periodontal, os clínicos   são introduzidos. É, portanto, necessário analisar e planear a
           devem organizar e sequenciar o seu modo de atuação nas   aplicação do sistema de classificação que está a ser implemen-
           consultas, de maneira a facilitar este processo. Assim sendo,   tado, o que acarreta tempo despendido para ser efetuada, de
           sugere-se, na Figura 1, uma sequência de passos a seguir nas   forma correta, uma reestruturação do pensamento. Esta nova
           primeiras consultas de periodontologia (segundo a AAP).  classificação apresenta um nível de complexidade elevado, e
           O fluxograma pretende ser implementado na prática clínica   implica muito tempo de trabalho por parte do utilizador para
           de medicina dentária, como uma ferramenta de auxílio para   uma correta utilização, uma vez que é necessária a análise
           todos os clínicos da área. com as suas respetivas anotações.   bibliográfica considerável. Este novo esquema de classificação,
           Este é acompanhado de algumas anotações, de modo a facili-  teve como principal intuito os clínicos (periodontologistas,
           tar a sua interpretação (Figura 2).                 médicos dentistas generalistas, higienistas e estudantes de
                                                               MD) diagnosticarem a saúde e doença periodontal dos pacien-
                                                               tes. No entanto, nem todos estes grupos de prestadores de
           Discussão                                           cuidados de saúde oral participaram no desenvolvimento des-
                                                               te sistema de classificação. Atendendo ao facto de este sistema
           Entre todas as alterações efetuadas, salienta-se o facto de,   ter sido inteiramente desenvolvido por especialistas, surgem
           pela primeira vez, se introduzir o conceito de saúde perio-  algumas preocupações em relação à aplicabilidade deste sis-
           dontal e de condições/doenças peri-implantares na classi-  tema de classificação num consultório de um médico dentista
           ficação. Destaca-se ainda a substituição dos termos “cróni-  generalista. 20
           ca” e  “agressiva” para caracterizar a doença periodontal   Sendo este um sistema de classificação muito recente, são
           (DP), passando-se então a definir  a doença segundo dife-  poucas as limitações conhecidas. Com um maior tempo de
           rentes estadios e graus. Esta nova classificação divide-se   aplicação deste sistema, os clínicos serão então capazes de
           em dois grandes grupos principais: condições/doenças pe-  perceber um pouco melhor as vantagens e desvantagens da
                                                      2
           riodontais e condições/doenças peri-implantares.  Com   sua utilização. Nesta primeira fase, salienta-se o facto de este
           este novo sistema de classificação, diferentes diagnósticos   ser um sistema de classificação complexo, que requer tempo
           podem ser constatados: saúde periodontal num periodonto   de aprendizagem. 9,20-22
           intacto;  saúde periodontal num periodonto reduzido;    A criação de um fluxograma resulta de uma medicina
                                                          3
                 4
                   6
           gengivite;  periodontite propriamente dita; 1,14  doença pe-  baseada em evidências, através de uma investigação biblio-
           riodontal necrosante;  periodontite como manifestação de   gráfica de qualidade. 22  Este surge como uma tentativa de
                             9
           doença sistémica. 5,10  Não  obstante, esta classificação   facilitar a aprendizagem e aplicação de novos conceitos, sen-
           abrange ainda outras condições capazes de afetar o com-  do uma ferramenta simplista, esquemática, não ambígua,
           plexo periodontal, nomeadamente lesões endo-periodon-  aumentando assim a probabilidade de memorização e com-

                                 • Realizar sondagem a todos os dentes;
                                 • Realizar status radiográfico e fotográfico;
                     Passo 1:    • Contabilizar os dentes perdidos;
                    Overview
                   – caso inicial

                                                   • Confirmar o CAL de todos os dentes;
                                                   • Excluir valores de CAL aumentados por motivos não periodontais;
                                      Passo 2:     • Determinar o CAL máximo;
                                      Esbelecer    • Calcular RBL;
                                      o estadio
                                                   • Avaliar a presença de fatores de complexidade;

                                                                    • Calcular RBL/ano;
                                                                    • Verificar a presença de fatores de risco;
                                                        Passo 3:    • Avaliar a resposta ao tratamento (controlo de placa);
                                                       Estabelecer    • Atender a considerações inflamatórias sistémicas.
                                                        o grau


            Figura 1. Sequência clínica para definir estadios e graus, segundo a AAP.
   40   41   42   43   44   45   46   47   48   49   50