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192 rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2019;60(4):189-196
Tabela 1. Características determinantes, secundárias e fatores modificadores para determinar o estadio (adaptado) 14
Estadio Características determinantes Características secundárias Fatores modificadores
I 1-2mm de perda de inserção PS≤4mm, sem dentes perdidos por
interproximal (no pior ponto) ou periodontite; RBL com padrão horizontal
RBL no terço coronal <15%;
II 3-4mm de perda de inserção PS≤5mm, sem perdas dentárias por
interproximal (no pior ponto) ou periodontite; RBL com padrão horizontal
RBL no terço coronal de 15-33%
III ≥5mm de perda de inserção PS≥6mm, com perdas dentárias devidas à DP
interproximal (no pior ponto) ou (até 4 dentes perdidos); pode haver RBL de
RBL até metade/ terço apical da padrão vertical (até 3mm), lesões de furca
raiz (graus II e III) e defeito de rebordo moderado
IV ≥5mm de perda de inserção ≥5 dentes perdidos por DP; em adição aos
interproximal (no pior ponto) ou fatores de complexidade do estadio III, pode
RBL até metade/ terço apical da haver ainda disfunção mastigatória, trauma
raiz oclusal secundário, defeito de rebordo grave
precocemente, os primeiros sinais de perda de adesão (o que Definiu-se saúde peri-implantar como sendo a ausência
corresponde ao estadio I). Por outro lado, conseguem também de sinais inflamatórios, como hemorragia e/ou supuração à
sinalizar casos de destruição periodontal mais avançada, e que sondagem (se estas estiverem presentes, podem ser indicati-
requerem uma reabilitação oral mais complexa (estadio IV). vas de uma mucosite peri-implantar). Adicionalmente, os va-
O grau, por sua vez, é representativo da taxa de progressão lores de PS (numa reavaliação), não podem ser superiores aos
da doença, variando de A a C, e indica quais os possíveis efei- valores anteriores, para se classificar como saudável, bem
tos da doença periodontal ao nível da saúde sistémica do in- como ausência de perda óssea para além do nível da crista
divíduo. Ao contrário do que acontecia com o estadio, é possí- óssea. Contudo, não foi possível definir uma PS standard que
vel alterar o grau, de acordo com a presença ou ausência de se considerasse compatível com saúde peri-implantar. Impor-
fatores de risco, como são exemplos a diabetes mellitus e o ta- ta ainda referir que é possível haver saúde peri-implantar em
bagismo. Para determinar o grau, avalia-se a perda de adesão implantes com suporte ósseo reduzido.
e a perda óssea ao longo dos últimos 5 anos; o rácio entre a Entende-se por peri-implantite como sendo uma condição
quantidade de osso perdido e a idade; a relação entre os depó- patológica associada ao acúmulo de placa bacteriana, que
sitos microbianos encontrados e o nível de destruição presen- ocorre nos tecidos periféricos a um implante em função ou
te; presença de hábitos tabágicos e níveis de glicose sanguí- reabilitado, e que se caracteriza pela inflamação da mucosa
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nea (Tabela 2). peri-implantar e pela perda subsequente de massa óssea. Es-
tamos perante um caso de peri-implantite sempre que se tem
4. Doenças e condições peri-implantares 13-16 uma combinação de: hemorragia e/ou supuração à sondagem;
A inclusão desta categoria no sistema de classificação é de aumento dos valores de PS em exames consequentes; altera-
facto inédita, já que até ao momento não era possível catalo- ções ao nível da remodelação óssea. Na ausência desta tríade,
gar as patologias peri-implantares. é possível classificar uma peri-implantite se no quadro clínico
Foram discutidas características da saúde peri-implantar, estiver presente a hemorragia/ supuração pós-sondagem,
mucosites peri-implantares, peri-implantites e ainda defi- PS>6mm e nível ósseo >3mm, apicalmente à porção mais co-
ciências ao nível dos tecidos moles e duros. ronal da porção intra-óssea do implante.
Tabela 2. Características determinantes, secundárias e fatores modificadores para determinar o grau (adaptado) 14
Grau Característica determinante Características secundárias Fatores de risco modificadores
A – Progressão Evidência direta de ausência de Pacientes com grandes depósitos de Sem fatores de risco (tais como
lenta progressão de perda de inserção por 5 biofilme, mas com pouca destruição tabagismo e a diabetes mellitus)
anos ou perda óssea/ano ≤0,25mm periodontal
B – Progressão Evidência direta de progressão <2mm Destruição compatível com os Tabagismo (<10 cigarros/dia); HbA1c
moderada em 5 anos ou perda óssea/ano entre depósitos de biofilme existentes <7% em pacientes com diabete mellitus
0,25-1mm
C – Progressão Evidência direta de progressão ≥2mm Destruição óssea superior ao Tabagismo (>10 cigarros por dia) ou
rápida em 5 anos ou perda óssea/ano >1mm expectável para a quantidade de HbA1c >7% em pacientes com diabete
biofilme presente; suspeita de mellitus
períodos de progressão rápida e/ou
estabelecimento precoce da doença

