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rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2019;60(4):169-174 173
mais complexos e dúbios. Contrariamente, a taxa de aborda- estudo de imagens de CBCT vs imagens bidimensionais com-
gens corretas no sentido vestíbulo-palatino parece depender binadas com telerradiografia de perfil ou radiografias periapi-
da especialidade dos médicos dentistas. Cirurgiões orais esco- cais indicam que a informação do CBCT é superior à obtida por
lheram significativamente mais vezes a via correta de aborda- imagens 2D, podendo afetar o plano de tratamento, nomeada-
gem cirúrgica do que os generalistas. Contudo, não existiram mente o estabelecimento da correta via de abordagem cirúr-
diferenças estatisticamente significativas entre qualquer uma gica no sentido vestíbulo-palatino.
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das restantes classes de especialidade (ortodontia, generalis- De acordo com uma revisão sistemática de 2016 os autores
tas ou outra). Tal pode dever-se ao facto de os cirurgiões orais referem que a precisão do CBCT ronda os 50% a 95% e para
contactarem mais vezes com este tipo de casos clínicos e por radiografias convencionais dos 39% aos 85%, pelo que as infor-
serem, durante a sua aprendizagem académica/ especializa- mações obtidas através destas modalidades são desviantes e,
ção, sensibilizados para o diagnóstico e tratamento dos mes- em última análise, podem afetar o plano de tratamento. Tal vai
mos. Deste modo, seja para tração ortodôntico-cirúrgica ou de encontro com o facto de cirurgiões orais correrem menos
exodontia, os cirurgiões orais provavelmente analisam mais risco na abordagem cirúrgica de caninos inclusos maxilares,
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imagens de caninos inclusos para estabelecimento prévio da por solicitarem mais vezes exames tridimensionais. Em 2013
melhor via de abordagem cirúrgica, estando alertados para as foi publicado um estudo em que os autores referem que as
posições que estes dentes podem ter e o tipo de imagem ra- imagens de CBCT ajudaram a aumentar o nível de confiança
diográfica que podem apresentar. Este é um dos motivos pelo do clínico no que respeita o plano de tratamento, diagnóstico
qual estudos semelhantes optam por escolher observadores de localização, contacto com os dentes adjacentes e a presen-
de cirurgia oral ou ortodontia, sendo esta última uma que tam- ça de reabsorções radiculares, justificando, assim, o uso de
bém lida em primeira mão com dentes inclusos. CBCT em pacientes sujeitos a intervenção cirúrgica. Não exis-
De acordo com os resultados obtidos a maioria dos cirur- te uma evidência suficientemente forte que suporte a utiliza-
giões orais pede sempre CBCT (75% dos casos), enquanto para ção deste tipo de exame como primeira escolha nestes casos
uma percentagem semelhante de ortodontistas, estes apenas bem como a relação custo-benefício associada, daí que, apesar
pediriam sempre CBCT em 55,6% dos casos ou em casos duvi- das claras vantagens dos exames tridimensionais, a presente
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dosos. Estes dados de acordo com a literatura que refere que, investigação, assim como os autores de um estudo de 2018
regra geral, cirurgiões orais tendem a pedir sempre CBCT para considera não ser aconselhável o uso rotineiro do CBCT e real-
estudo da inclusão dentária dados os riscos inerentes a qual- ça a necessidade de estabelecer normas para solicitar este tipo
quer tipo de abordagem cirúrgica, comparativamente a orto- de exames em caninos inclusos maxilares. Em consonância,
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dontistas ou colegas de outras especialidades. Tais riscos os médicos dentistas devem ser encorajados a avaliar os mé-
acarretam uma maior morbilidade para o paciente devido a todos radiográficos atualmente em uso em termos de níveis
fatores como o descolamento de retalhos maiores ou realizados de dose aos quais os pacientes estão expostos e questionar a
no local incorreto por falhas na localização do canino, possível relação risco-benefício para o paciente.
necessidade de uma segunda cirurgia, aumento de dor e edema A presente investigação apresenta vantagens e fraquezas
no pós-operatório e, se deteção tardia da real posição do cani- que devem ser mencionadas para fornecer um enquadramen-
no, perda de osso por osteotomia desnecessária. to apropriado da interpretação dos resultados. Algumas das
No que respeita a metade dos médicos dentistas que não vantagens passam pela existência prévia de tomografia com-
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pedem CBCT, alguns estudos demonstraram que este é mais putorizada de todos os casos de caninos inclusos, que além de
preciso quando comparado com as técnicas paralaxe horizon- acrescentar valor à investigação, evitou a necessidade de pedir
tais no diagnóstico de posição de caninos maxilares inclusos, este exame propositadamente, o que acarretaria um aumento
sobretudo em casos complexos e não palpáveis. A ausência de da exposição à radiação e custos acrescidos para os pacientes;
CBCT pode acarretar consequências tais como planos de tra- a elevada potência e nível de concordância intra e inter-obser-
tamento desadequados ou com mau prognóstico, surpresas vadores que tornam reprodutível o método comparativo pela
indesejáveis, sobretudo no que respeita o grau de dificuldade análise 3D com as restantes imagens; o número de caninos
do caso, dificuldade na exposição cirúrgica e/ou definição do maxilares inclusos que, comparativamente ao número utiliza-
vetor de tração ortodôntica, maior morbilidade do paciente por do noutros estudos, parece ser bastante razoável; o estudo da
patologias císticas e reabsorções de dentes vizinhos que pas- relação entre a correta via de abordagem cirúrgica e variáveis
sam despercebidas, retalhos mal localizados e técnicas cirúr- ainda pouco estudadas como a experiência clínica, especiali-
gicas mais invasivas. dade e hábito de pedir exames 3D para estudo do caso. Quan-
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Em 2014, alguns autores encontraram diferenças estatis- to às principais desvantagens deste estudo consideram-se:
ticamente significativas para a localização vestíbulo-palatina desenho do estudo, em que o melhor método para se compa-
dos caninos maxilares inclusos, com maior correlação no rar a posição do canino no sentido vestíbulo-palatino no inte-
grupo dos ortodontistas. O motivo mais mencionado para rior do alvéolo seria avaliar radiografias panorâmicas com
solicitar imagens 3D foi a localização no sentido vestíbulo- vários cortes de imagens 3D e não apenas um corte paraxial,
-palatino, sendo que os cirurgiões orais foram mais a favor o facto de a amostra não ser representativa da população (mé-
de realizar mais imagens 3D. Estes dados estão também de dicos dentistas a exercer em Portugal), o que por si só condi-
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acordo com um estudo de 2014 e com os resultados obtidos ciona a validade interna/ até que ponto os resultados estão
nesta investigação. corretos para a amostra e também a validade externa do estu-
Estudos 8,9,10 onde se comparou o diagnóstico e plano de do, a existência de viés pela aplicação de um questionário não
tratamento de caninos maxilares inclusos tendo como base o validado, as imagens não terem sido padronizadas e a via de

