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172 rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2019;60(4):169-174
Dos 40 (50%) médicos dentistas que nem sempre pedem Na análise da distribuição de médicos dentistas de acordo
CBCT 10 (12,5%) justificam que com 2 incidências apicais con- com o motivo pelo qual não pedem CBCT nos casos de caninos
seguem ter noção da posição do dente; 9 (11,3%) porque con- maxilares inclusos verificou-se que na metade dos casos em
sideram exames dispendiosos, 6 (7,5%) porque não querem que os colegas nem sempre pediam a justificação fornecida
submeter o paciente a mais radiação, 5 (6,3%) porque nem foi: 12,5% consideraram que com duas incidências apicais con-
sempre conseguem adquirir a requisição dos meios comple- seguem ter noção da posição do dente; 12,5% justificam com
mentares de diagnóstico pelo médico assistente e 10 (12,5%) outros motivos, desconhecidos; 11,3% porque consideram exa-
justificam com outros motivos desconhecidos. mes dispendiosos; 7,5% porque não querem submeter o pa-
Os resultados da análise de imagens 2D mostraram que ciente a mais radiação e 6,3% porque nem sempre conseguem
35,5% das opções de abordagem foram erradas. Apenas 4 dos obter a requisição dos meios complementares de diagnóstico
médicos dentistas afirmaram nunca pedir TC ou CBCT, sendo pelo médico assistente.
que, nesta situação, a taxa da escolha correta da via de abor-
dagem cirúrgica varia entre os 43,3% e os 83,3%, sendo a média
(+/- DP) de 65% (+/- 18,3%). Quando o Médico Dentista pede o Discussão
CBCT consegue, em média, uma taxa de abordagem correta
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quase superior a 50%. Num estudo de 2010 os autores referem que existem médi-
Não parece existir diferença estatisticamente significativa cos dentistas que, por inúmeras razões, não solicitam ima-
no número de escolhas da via de abordagem correta de acordo gens 3D para estudo e planeamento cirúrgico e optam por
com a experiência do Médico Dentista (p=0,958). No entanto, “arriscar” na abordagem cirúrgica, o que acarreta desvanta-
como é possível verificar na Tabela 1 parece depender da es- gens imediatas como o aumento da morbilidade do paciente.
pecialidade do Médico Dentista (p=0,024), sendo que Cirurgiões Este facto justifica a pertinência da presente investigação.
orais escolheram significativamente mais vezes a via correta Ao contrário do que seria de esperar, não parece existir
de abordagem que Generalistas (p=0,034). Não foram encon- diferença estatisticamente significativa na escolha da via de
tradas diferenças estatisticamente significativas para as res- abordagem correta no sentido vestíbulo-palatino de acordo
tantes especialidades. com o número de anos de experiência dos médicos dentistas.
A maioria dos cirurgiões orais pede sempre CBCT (75%), Tal pode dever-se ao tamanho da amostra, uma vez que 80
sendo pouco frequente que peçam apenas em casos duvido- médicos dentistas não é representativo da população (médicos
sos. 55,6% dos Ortodontistas pedem sempre CBCT e 27,78% em dentistas a exercer em Portugal) e o facto de um médico den-
casos duvidosos. Verificou-se uma associação entre a especia- tista ter mais anos de prática clínica não implica obrigatoria-
lidade e o pedido de CBCT (p = 0,008), sendo que é mais prová- mente que se sinta confortável no diagnóstico e planeamento
vel que Cirurgiões Orais peçam sempre. Em contraste, médicos destes casos se essa não for a sua área preferencial de atuação.
dentistas generalistas raramente pedem CBCT ou apenas o Este facto pode traduzir-se numa maior dificuldade no diag-
fazem em casos duvidosos, enquanto os restantes (outros) nóstico e execução de plano de tratamento para intervenção
nunca pedem exames 3D (Tabela 2). relativa a caninos maxilares inclusos, sobretudo nos casos
Tabela 1. Estudo estatístico da relação entre a especialidade dos Médicos Dentistas e a percentagem de abordagens
escolhidas corretamente/ n.º de acertos.
Especialidade n Min – Max média (DP) IC 95% p
Cirurgia Oral 24 40 – 93,33 71,11 (14,2) 65,12 – 77,11
Ortodontia 18 46,67 – 86,67 68,52 (11,45) 62,83 – 74,21
Abord. Generalista 34 23,33 – 86,67 59,9 (16,15) 54,27 – 65,54 0,024
Corretas(%)
Outra Área 4 20 – 76,67 56,67 (25,39) 16,27 – 97,06
Total 80 20 – 93,33 65,04 (15,79) 61,53 – 68,55
Tabela 2. Distribuição de Médicos Dentistas por especialidade e pedido de CBCT para estudo de caninos maxilares inclusos.
Especialidade Sempre Casos duvidosos Raramente Nunca
Cirurgia oral 18 (75%) 5 (20,83%) 0 (0%) 1 (4,17%)
Ortodontia 10 (55,56%) 5 (27,78%) 3 (16,67%) 0 (0%)
Generalista 10 (29,41%) 19 (55,88%) 3 (8,82%) 2 (5,88%)
Outros 2 (50%) 1 (25%) 0 (0%) 1 (25%)
Total 40 (50%) 30 (37,5%) 6 (7,5%) 4 (5%)

