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             Dos 40 (50%) médicos dentistas que nem sempre pedem   Na análise da distribuição de médicos dentistas de acordo
           CBCT 10 (12,5%) justificam que com 2 incidências apicais con-  com o motivo pelo qual não pedem CBCT nos casos de caninos
           seguem ter noção da posição do dente; 9 (11,3%) porque con-  maxilares inclusos verificou-se que na metade dos casos em
           sideram exames dispendiosos, 6 (7,5%) porque não querem   que os colegas nem sempre pediam a justificação fornecida
           submeter o paciente a mais radiação, 5 (6,3%) porque nem   foi: 12,5% consideraram que com duas incidências apicais con-
           sempre conseguem adquirir a requisição dos meios comple-  seguem ter noção da posição do dente; 12,5% justificam com
           mentares de diagnóstico pelo médico assistente e 10 (12,5%)   outros motivos, desconhecidos; 11,3% porque consideram exa-
           justificam com outros motivos desconhecidos.       mes dispendiosos; 7,5% porque não querem submeter o pa-
             Os resultados da análise de imagens 2D mostraram que   ciente a mais radiação e 6,3% porque nem sempre conseguem
           35,5% das opções de abordagem foram erradas. Apenas 4 dos   obter a requisição dos meios complementares de diagnóstico
           médicos dentistas afirmaram nunca pedir TC ou CBCT, sendo   pelo médico assistente.
           que, nesta situação, a taxa da escolha correta da via de abor-
           dagem cirúrgica varia entre os 43,3% e os 83,3%, sendo a média
           (+/- DP) de 65% (+/- 18,3%). Quando o Médico Dentista pede o   Discussão
           CBCT consegue, em média, uma taxa de abordagem correta
                                                                              5
           quase superior a 50%.                              Num estudo de 2010  os autores referem que existem médi-
             Não parece existir diferença estatisticamente significativa   cos dentistas que, por inúmeras razões, não solicitam ima-
           no número de escolhas da via de abordagem correta de acordo   gens 3D para estudo e planeamento cirúrgico e optam por
           com a experiência do Médico Dentista (p=0,958). No entanto,   “arriscar” na abordagem cirúrgica, o que acarreta desvanta-
           como é possível verificar na Tabela 1 parece depender da es-  gens imediatas como o aumento da morbilidade do paciente.
           pecialidade do Médico Dentista (p=0,024), sendo que Cirurgiões   Este facto justifica a pertinência da presente investigação.
           orais escolheram significativamente mais vezes a via correta   Ao contrário do que seria de esperar, não parece existir
           de abordagem que Generalistas (p=0,034). Não foram encon-  diferença estatisticamente significativa na escolha da via de
           tradas diferenças estatisticamente significativas para as res-  abordagem correta no sentido vestíbulo-palatino de acordo
           tantes especialidades.                             com o número de anos de experiência dos médicos dentistas.
             A maioria dos cirurgiões orais pede sempre CBCT (75%),   Tal pode dever-se ao tamanho da amostra, uma vez que 80
           sendo pouco frequente que peçam apenas em casos duvido-  médicos dentistas não é representativo da população (médicos
           sos. 55,6% dos Ortodontistas pedem sempre CBCT e 27,78% em   dentistas a exercer em Portugal) e o facto de um médico den-
           casos duvidosos. Verificou-se uma associação entre a especia-  tista ter mais anos de prática clínica não implica obrigatoria-
           lidade e o pedido de CBCT (p = 0,008), sendo que é mais prová-  mente que se sinta confortável no diagnóstico e planeamento
           vel que Cirurgiões Orais peçam sempre. Em contraste, médicos   destes casos se essa não for a sua área preferencial de atuação.
           dentistas generalistas raramente pedem CBCT ou apenas o   Este facto pode traduzir-se numa maior dificuldade no diag-
           fazem em casos duvidosos, enquanto os restantes (outros)   nóstico e execução de plano de tratamento para intervenção
           nunca pedem exames 3D (Tabela 2).                  relativa a caninos maxilares inclusos, sobretudo nos casos


            Tabela 1. Estudo estatístico da relação entre a especialidade dos Médicos Dentistas e a percentagem de abordagens
            escolhidas corretamente/ n.º de acertos.
                           Especialidade      n          Min – Max     média (DP)     IC 95%          p
                          Cirurgia Oral      24          40 – 93,33    71,11 (14,2)  65,12 – 77,11

                          Ortodontia         18         46,67 – 86,67  68,52 (11,45)  62,83 – 74,21
               Abord.     Generalista        34         23,33 – 86,67  59,9 (16,15)  54,27 – 65,54   0,024
              Corretas(%)
                          Outra Área          4          20 – 76,67   56,67 (25,39)  16,27 – 97,06
                          Total              80          20 – 93,33   65,04 (15,79)  61,53 – 68,55


            Tabela 2. Distribuição de Médicos Dentistas por especialidade e pedido de CBCT para estudo de caninos maxilares inclusos.

                Especialidade         Sempre          Casos duvidosos       Raramente             Nunca
            Cirurgia oral             18 (75%)           5 (20,83%)           0 (0%)             1 (4,17%)
            Ortodontia               10 (55,56%)         5 (27,78%)          3 (16,67%)           0 (0%)
            Generalista              10 (29,41%)        19 (55,88%)          3 (8,82%)           2 (5,88%)
            Outros                    2 (50%)             1 (25%)             0 (0%)             1 (25%)
            Total                     40 (50%)           30 (37,5%)          6 (7,5%)             4 (5%)
   19   20   21   22   23   24   25   26   27   28   29