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             As alterações da cavidade oral decorrentes da quimiotera-  serviço, com preparo de boca antes do início do tratamento,
           pia levam, na maioria das vezes, a um agravamento do quadro   com raras exceções. 4,6
           geral desses pacientes, havendo a possibilidade de interrupção   A terapia com laser de baixa intensidade tem mostrado
           do tratamento (tal interrupção diminui o controle da patologia   redução dos danos da mucosite nesses pacientes, pois o laser
           podendo levar o paciente ao óbito) e consequentemente, au-  aumenta a divisão celular e a produção de colágeno. Nos teci-
           mento do tempo de internação hospitalar e dos custos, além   dos gengivais, a aplicação de laser de baixa intensidade tem
           de ser considerada a causa mais comum de dor oral nesses   estimulado a síntese de DNA de fibroblastos sem alterações
           pacientes, que atingindo níveis significativos comprometem a   degenerativas, transformando os fibroblastos em miofibro-
           nutrição, pois o desconforto provocado pode levar o paciente   blastos que podem promover o reparo tecidual, além da mo-
           a aumentar a ingestão de alimentos pastosos ricos em saca-  dulação dos nocireceptores pela modificação da condução
           rose 9 -14 . Destaca -se dentre essas alterações orais as mucosites   nervosa com a liberação de endorfinas e encefalinas. 13,15
           (72,1%, no presente trabalho). 1 -14                  A hiperemia foi a segunda manifestação oral mais fre-
             A mucosite possui etiologia multifatorial, e sua prevalên-  quente desse estudo. 8 ,9  A hiperemia consiste em um aumen-
           cia é elevada em pacientes que se submetem a quimiotera-  to do volume sanguíneo em um determinado local, que pode
                                                                                                             17
           pia. 1,14  O metotrexato (MTX) é uma das drogas mais utiliza-  ocorrer devido à leucopenia após a quimioterapia intensiva.
           das em crianças com leucemias, é um antagonista do ácido   Já a xerostomia em terceiro é um efeito colateral associado a
           fólico, inibe a reprodução celular e apresenta seletividade   algumas drogas da quimioterapia que alteram as funções das
           parcial para células tumorais e toxicidade contra células nor-  glândulas salivares, que pode cessar logo após o término do
           mais de rápida proliferação, como as células do trato gastrin-  tratamento. 8,15
           testinal e da mucosa oral, assim a fase inicial da mucosite   A frequência do acometimento por petéquias deste estudo
           oral ocorre geralmente imediatamente após a administração   foi condizente com a literatura. 9,10   Sabe -se que as petéquias
           do MTX. 2,12                                       podem se desenvolver devido à trombocitopenia, e isso se jus-
             As hipóteses diagnósticas do CD diante do sangramento e   tifica tanto pelo tratamento antineoplásico, que afeta a proli-
           do aumento gengival podem levá -lo a suspeitar que sejam de-  feração das células epiteliais, o que resulta em atrofia do epi-
           correntes de periodontite, pois o acúmulo crônico de biofilme   télio tornando -o suscetível a traumas, quanto pela própria
           associado a pobre higiene bucal pode levar a este quadro clí-  trombocitopenia. 14
           nico, mas o paciente pode apresentar os mesmos sinais de   A candidíase é uma das principais infecções oportunistas
           sangramento e crescimento gengival com uma excelente hi-  observadas, causada pela Candida albicans, nesse estudo teve
           giene bucal. 4,6,10 -13                            uma frequência relativamente baixa, que pode ser explicada,
             A mucosite se caracteriza por úlceras dolorosas que podem   pela qualidade o acompanhamento odontológico. 4,6,10
           acometer todos os tecidos moles da boca e trato gastrointes-  As infecções por vírus também podem causar sérias com-
           tinal, constituindo -se como uma resposta inflamatória da mu-  plicações nos pacientes em tratamento para leucemia. As que
           cosa bucal às altas doses de quimioterapia e/ou radiotera-  geralmente ocorrem são as lesões herpéticas pelo herpes sim-
           pia. 8 -11  Por provocar uma condição debilitante resulta em uma   ples e herpes zoster, sendo o herpes labial a principal infecção
           queda da qualidade de vida do paciente. 9 -17  A ruptura da mu-  viral nos pacientes em quimioterapia 8,10 . Também  podem
           cosa durante a mucosite, não apenas resulta em desconforto   apresentar sinais sistêmicos de viremia, incluindo mal -estar
           significante como também destrói a integridade da barreira   e anorexia. 8 ,9
           imunológica, podendo causar sepse. 12,18              A clorexidina 0,12% também foi utilizada, mas não preveniu
             A mucosite, como nessa pesquisa, é mais presente no sexo   a instalação da mucosite oral, porém, devido a sua ação anti-
           feminino. 2,13,17  As mulheres parecem ser mais suscetíveis a   microbiana, ele pode diminuir a gravidade das lesões, favore-
           mucosite do que os homens, possivelmente por questões hor-  cendo o quadro clínico e o estado nutricional dos pacientes. 15
           monais, mas não há nada comprovado. Dessa forma, é possível   Cabe ressaltar que nesse estudo o número de prontuários
           que gênero desempenhe um importante papel como um fator   incompletos, representando uma limitação desta pesquisa.
           de risco independente e como preditivo para a mucosite oral. 17  Isso parece ser uma prática comum nessa modalidade de pes-
             Com relação à idade, os pacientes que estavam na faixa   quisa. 16
           etária de 0 -9 anos tiveram uma prevalência maior de mucosi-
           te (74,2%), fato concordante com a literatura. 8 -11  Isso se pode
           se justificar pela alta atividade mitótica das células dos tecidos   Conclusão
           bucais de crianças de até 12 anos, tornando esse epitélio mais
           sensível a toxicidade da quimioterapia, alterando a prolifera-  Com base nos resultados obtidos nesse estudo, fica evidente a
           ção celular, com consequente atrofia e perda da barreira me-  alta ocorrência de lesões orais durante o tratamento antineo-
           cânica da mucosa. 12,13                            plásico. As mais prevalentes nesta amostra foram: mucosite e
             Em busca de melhorar entendimento da mucosite a OMS   hiperemia. Associação entre a mucosite e o sexo foi observa-
           passou a avaliar o paciente de acordo com a aparência da   da, sendo o feminino mais afetado.
           mucosa, os sintomas e a manutenção da função, variando de   As alterações orais podem ser evitadas ou minimizadas
           Grau 0 (quando não há evidência de lesão) até Grau 4 (com   pelo CD, pois esses desempenham um papel fundamental no
           úlceras confluentes e a nutrição é parenteral). 8 -11,17  Para este   manejo das crianças com LLA, diminuindo as morbidades re-
           estudo, as lesões menos severas foram as mais frequentes,   lacionadas às complicações bucais, aumentando o conforto e
           provavelmente pelo protocolo clinico de prevenção usado no   a qualidade de vida dos pacientes.
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