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                                            Figura 4. Ressonância magnética. Imagem trans-  Figura 5. Imagem da impressão citológica na qual
                                            versa T1 pós-contraste. Observa-se realce mode-  se observam células dispersas de morfologia fusi-
        Figura 3. Ressonância magnética. Imagem sagital   rado homogéneo da lesão. Afeta a porção dorsal,   forme que mostram um núcleo arredondado a ova-
        Ta pós-contraste. Observa-se realce moderado   lâmina e corpo vertebral, e invade o canal vertebral   lado, de tamanho moderado e contorno irregular
        homogéneo da lesão.                 e tecidos moles adjacentes a C2.    com citoplasma de cor eosinófilo escasso e rebor-
                                                                                dos citoplasmáticos pouco definidos que mostram
                                                                                atipias moderadas. Observam-se glóbulos verme-
        tração de dois pré ‑molares superiores.   exerce um grave efeito induzindo uma im‑  lhos sem componente inflamatória. Diff-Quick 20x
        Apresenta uma melhoria inicial. Passados 5   portante alteração da morfologia e sinal me‑
        dias, surgem sintomas neurológicos com de‑  dular ao longo do corpo vertebral de C2. Nas
        bilidade dos membros pélvicos, que evolui   sequências pós ‑contraste observa ‑se um real‑  biopsia para poder aferir tanto o prognóstico,
        rapidamente para uma debilidade dos mem‑  ce moderado com padrão homogéneo tanto   como o melhor tratamento.
        bros torácicos e prostração completa do ani‑  das lesões vertebrais, como da musculatura
        mal embora mantendo ‑se constantes os va‑  adjacente (figuras 1, 2, 3 e 4).  Tratamento e diagnóstico
        lores vitais normais. Remete ‑se o animal para   Conclui ‑se a presença de uma lesão verte‑
        uma avaliação neurológica e ressonância   bral e paravertebral C2 de características   Procede ‑se a uma descompressão medular
        magnética para o hospital veterinário Guadia‑  agressivas ‑invasivas que se infiltra no canal   através de uma laminectomia dorsal ao seg‑
        mar, por suspeita de lesão medular cervical.  medular de C2 e exerce uma grave mielopa‑  mento medular C2. Confirma ‑se o diagnóstico
                                            tia compressiva sem extensão aparente pelo   observando um tecido multilobulado, anaca‑
        Exame neurológico                   segmento medular afetado. Foi considerado   rado e friável que se localiza próximo da mus‑
          O exame neurológico revela obnubilação   principalmente um tumor de tecidos moles e   culatura paravertebral adjacente à lâmina
        ligeira, tetraparesia não ambulatória (grau V/  menos provável OS, linfoma ou metástases.   dorsal e lateral de C2, e se propaga para o
        VIII), reações posturais alteradas nos quatro   Uma origem inflamatória seria pouco prová‑  interior do canal medular através de um osso
        membros, maior afetação do bipedal direito   vel dada a semiologia neuro radiológica.  pouco consistente. Do canal medular retira ‑se
        e do membro torácico esquerdo. O restante   Com o objetivo de estabelecer um diagnós‑  praticamente a totalidade do tecido tumoral,
        exame físico não apresenta alterações. Não   tico definitivo, recomendou ‑se aos proprietá‑  com exceção de uma pequena parte que se
        se evidenciam áreas de hiperestesia.  rios a extração cirúrgica ou a colheita de   estende através da lâmina lateral esquerda
          A neuro localização cervical (C1 ‑C5), jun‑
        tamente com a história clínica da paciente e
        a evolução crónica progressiva da doença
        apontam para possíveis causas alterações in‑
        flamatórias/infeciosas, neoplasia, anomalias
        congénitas ou problemas degenerativos.
          Realiza ‑se um estudo de ressonância mag‑
        nética da medula cervical. O principal achado
        é a presença de uma massa localizada na
        vértebra C2 e nos tecidos moles adjacentes.
        Essa massa afeta o arco dorsal, apófise espi‑
        nosa, lâminas laterais e continua para o corpo
        vertebral de C2. A lesão, de morfologia irre‑
        gular adaptada à forma vertebral e dimensões   Figura 6. Nesta imagem citológica, com uma   Figura  7.  Imagem citológica das células
        aproximadas de 16x9x15 mm (largura x altu‑  ampliação maior, as células encontram-se   mesenquimais na qual se observa uma binu-
        ra x comprimento), apresenta limites mode‑  mais agrupadas e os critérios de malignidade   cleação, anisocariose e anisocitose, croma-
        radamente definidos e uma relaxometria   que se observam são anisocariose, anisoci-  tina densa, nucléolos únicos e, em algumas
        inespecífica. Na sua porção dorsal, viola os   tose, nuclear molding e cromatina densa com   células, múltiplos juntamente com citoplasma
        limites ósseos da apófise espinosa e o arco   nucléolo evidente. Diff-Quick 40x  escasso eosinófilo (Diff-Quik 100x)
        dorsal, invadindo o canal vertebral, onde


                                                                                                         1  CLÍNICA
                                                                                                            ANIMAL
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