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10  CAPA / ONCOLOGIA


        Linfoma intestinal de linfócitos T


        de baixo grau num cão





        A incidência de linfoma intestinal de células T pequenas na espécie canina é baixa e o seu prognóstico é
        relativamente favorável. Através de um caso clínico constata -se a importância das técnicas de diagnóstico molecular
        para caracterizar o tipo de linfoma.




                                            mais afetado do que o intestino grosso. Ge‑  Diagnóstico
          Ainara Villegas, Olalla Sánchez
          e Mª del Carmen Aceña             ralmente, pode ser de linfócitos T e de ele‑
          Departamento de Patologia Animal.   vado grau histológico. A incidência de lin‑  O diagnóstico, como noutras apresentações
          Hospital Veterinário da Universidade de   fócitos intestinais de baixo grau histológico   de linfoma, pode ‑se fazer por citologia, mas
          Saragoça                          no cão, ao contrário do gato, é baixa. Trata‑  esta técnica pode não determinar facilmente
          Imagem cedida pelas autoras       ‑se frequentemente de um linfoma agressi‑  o tipo histológico nem permite estabelecer o
                                            vo, que na maior parte dos casos está asso‑  imunofenótipo. Para isso podemos recorrer à
                                            ciado a um mau prognóstico. O tempo   biopsia e a técnicas de imunohistoquímica. A
          O linfoma intestinal é o segundo tipo de   médio de sobrevida é curto, de 3 a 6 meses,   biopsia deve ser obtida a partir de toda a
        linfoma mais comum no cão, depois do lin‑  exceto em alguns casos como o linfoma   parede intestinal, tentando não entrar no lú‑
        foma nodal multicêntrico, e abrange entre   retal.                      men intestinal. Para isso é preferível realizar
        5 ‑7% dos linfomas caninos. Esta forma de                               uma laparotomia e evitar a endoscopia, por‑
        linfoma pode surgir num amplo leque de   Sinais clínicos                que com esta última as amostras podem ser
        idades e de raças, sendo os Shar ‑Pei e Boxer                           superficiais e não serem diagnósticas. É im‑
        as raças mais predispostas. Foi sugerido ser   Os sinais clínicos que os pacientes apre‑  portante obter uma quantidade adequada de
        mais frequente nos machos do que nas fê‑  sentam mais frequentemente no momento   amostra, dado que pode ser difícil diferenciar
        meas, ainda que esta conclusão não tenha   do diagnóstico são sinais gastrintestinais ines‑  entre linfoma e enterite plasmocítica linfocitá‑
        sido suficientemente comprovada.    pecíficos como anorexia, vómitos, diarreia,   ria. Ainda assim as técnicas de imunohistoquí‑
          O linfoma primário intestinal em cães   perda de peso, má absorção e diarreia he‑  mica que têm sido utilizadas nos últimos anos
        pode evoluir de forma difusa e multifocal,   morrágica. Os gânglios linfáticos mesentéri‑  têm contribuído para diferenciar morfologica‑
        e é menos frequente que forme uma massa   cos e o baço podem estar afetados. Devido   mente neoplasias similares que têm compor‑
        no aparelho gastrintestinal. A ulceração é   a estes sinais digestivos, o tratamento é mais   tamentos diferentes.
        frequente e o intestino delgado pode estar   complicado.                  Outra possibilidade de diagnóstico é a ci‑
                                                                                tometria de fluxo. Esta técnica molecular per‑
                                                                                mite também, de acordo com o tamanho e
                                                                                complexidade interna das células, diferenciar
                                                                                entre tipos celulares para avaliar a expressão
                                                                                de determinadas proteínas, podendo assim
                                                                                ser caracterizado o imunofenótipo. Por últi‑
                                                                                mo, existem testes de clonalidade (PARR) que
                                                                                permitem diferenciar processos tumorais
                                                                                (clones) de inflamatórios, para além de iden‑
                                                                                tificar se essa população linfoide é constituí‑
                                                                                da por células B ou T.

                                                                                Tratamento

                                                                                  Relativamente ao tratamento, se o linfoma
                                                                                intestinal se encontra localizado e provoca
                                                                                obstrução, é recomendável realizar uma exci‑
                                                                                são cirúrgica e posteriormente utilizar quimio‑
                                                                                terapia. No caso de apresentação difusa, de‑
                                                                                vem ser tratados com quimioterapia sistémica.
        Citologia por punção aspirativa com agulha ecoguiada de uma massa intestinal. A população homogénea   Não foi descrito um protocolo específico
        de células linfoides de tamanho intermédio-pequeno é compatível com um linfoma de baixo grau. Pre-  de quimioterapia para o tratamento do linfo‑
        sença de núcleos vazios e corpos linfoglandulares.                      ma intestinal. Os protocolos quimioterapêuti‑


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           ANIMAL
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