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4 EDITORIAL
Inteligência artificial
Confesso que não vejo, nem percebo a razão para tanto alarido em torno do desenvolvimento
da Inteligência Artificial (IA). Entendo que se levantem questões, que se discutam ideias e que
se criem caminhos para o desenvolvimento da inteligência artificial. Também sabemos que o
desenvolvimento tecnológico está sempre um passo à frente da legislação e que esta ainda não
conseguiu impor ‑se por várias razões que não vou esmiuçar.
Web Summit, esse encontro mundial de ideias, trouxe consigo em 2017 esse “fantasma” que
muitos temem, personificado no Robot Sophia que representa os primeiros passos na inteli‑
A gência artificial. Associado à Sophia veio uma questão que parecia ser nova para muita gen‑
te: as máquinas vão substituir os homens. Uma ideia associada a uma frase “Estás despedido!”. Mais
uma vez fiquei um pouco estupefacto. Desde sempre o homem procurou formas de se libertar e de
facilitar o seu trabalho, uma ideia tão velha quanto ele e que resulta sempre na substituição de pessoas,
mas abre portas para novas áreas de negócios, para novas profissões e para o crescimento global.
A substituição do homem por aparelhos, por máquinas ou por robots tem sido uma constante ao
longo da nossa existência e não vai parar. A única diferença que encontro atualmente é a velocidade de
algumas mudanças. Vivemos uma época dominada pela tecnologia, onde diariamente surgem novidades.
Há profissões que empregam milhares de pessoas e que vão acabar dentro de três ou quatro anos.
A tecnologia está a moldar já há muitos anos o mundo à nossa volta, uma grande parte das profissões
António Simões onde vão trabalhar os nossos filhos ainda nem sequer foram criadas. A escassez de recursos humanos
Diretor Clínica Animal nas tecnologias é tão grande que a oferta não chega para a procura. A escassez de engenheiros infor‑
máticos especializados em IA é tão grande que as empresas estão a recrutar professores nas universi‑
dades com ordenados principescos, criando problemas ao próprio setor do ensino. Nunca como
agora o setor das engenharias saltou para a frente tornando ‑se numa moda que veio para ficar.
A IA está a transformar as nossas vidas já algum tempo e não é preciso teme ‑la, uma vez que não
vamos encontrar nenhum “exterminador” amanhã à porta da nossa casa. Mas, a inteligência artificial
vai estar presente, cada vez mais, em muitas coisas que fazemos e usamos, desde os telemóveis com
reconhecimento facial aos aparelhos domésticos com comandos por voz, ao atendimento no retalho
e no marketing que não iremos conseguir distinguir se quem está do outro lado da linha é um ser
humano ou um robot, etc. Os carros inteligentes, a saúde, o turismo, a indústria de uma forma geral,
são muitos os setores que estão já a apostar na inteligência artificial.
Julgo que melhor que a Sophia, só mesmo um “boby” para todos aqueles que têm alguma “dificul‑
dade” em lidar com animais domésticos, sem perder os benefícios para os dois lados. Até nesta área
a IA vai ser muito importante, ao criar um robot que possa substituir um animal de estimação. Os
maus tratos e o abandono de animais vão certamente desaparecer…
A interação entre nós e a IA vai ser uma constante e vai ser feita de uma forma progressiva. A quar‑
ta revolução industrial, como muitos a apelidam, já começou e não vai parar independentemente dos
fantasmas que se queiram criar.
1 CLÍNICA
ANIMAL

