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Nutrição

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                                 Tabela 3.    Perfil de ácidos gordos da farinha de alguns insetos comparada
                                    com outras fontes de gordura habituais (expressados em percentagem de gordura total).
                                                 Hermetia   Tenebrio   Banha    Sebo de ru-  Óleo    Óleo    Óleo de
                                                 illucens*  molitor*  de porco  minantes  de peixe  de soja  palma
                                Saturados
                                Láurico (12:0)   21,4-49,3  0,5      -        -         -       -       -
                                Mirístico (14:0)  2,9-6,9   4,0     1,5      3,2      4,3-7     -      1,0
                                Palmítico (16:0)  10,5-16,1  21,1   23,7     25,0   11,0-19,0  9,5    43,0
                                Esteárico (18:0)  1,3-5,7   2,7     13,0     21,1    1,2-4,9   4,0     4,8
                                Monoinsaturados
                                Palmitoleico       3,5      4,0     3,0      3,1      4,1-9    0,2     0,3
                                (16:1, n-7)
                                Oleico (18:1, n-9)  11,8-32,1  37,7  44,0    26,4    11,0-16  22,0    40,0
                                Polinsaturados
                                Linoleico (18:2, n-6)  3,6-4,5  27,4  10,0   2,2      1-2,0   54,0    10,0
                                Linolénico (18:3, n-3)  0,08-0,74  1,2  0,8   -      0,5-1,1   7,3      -
                                EPA (20:5, n-3)  0,03-1,66   -       -        -      8,1-11,0   -       -
                                DHA (22:6, n-3)  0,00-0,59   -       -        -       11,0      -       -
                                * Farinha não desengordurada. EPA: ácido eicosapentaenoico; DHA: ácido docosahexaenoico.
                                Fonte: De Blas et al. (2010); Makkar et al. (2014)


                                sua recolha. Também se comprovou que existem   (nas fases adultas dos insetos a proporção de quitina
                                diferenças de crescimento de acordo com o substrato   sobre o total do inseto é muito elevada), um estudo
                                utilizado como alimento dos insetos e como este   recente de revisão conduzido por Gasco et al. (2018),
                                substrato pode condicionar a composição corporal   indica que este componente, a quitina e seus deriva-
                                destes animais e, portanto, os nutrientes que as aves   dos, têm um efeito estimulante sobre as células do
                                podem conseguir quando os consomem. Esta carac-  sistema imunitário das aves, o que pode ser utilizado
                                terística permite que se possa modificar tanto a com-  em certa medida como prebiótico. Assim, a referida
                                posição de ácidos gordos das larvas, como de ami-  revisão de Gasco et al. (2018), indica também o efei-
                                noácidos em função do substrato escolhido e do   to antimicrobiano de alguns péptidos presentes na
                                momento da recolha (Meneguz et al., 2018). Na ta‑  farinha de insetos.
                                bela 2 apresenta -se o perfil de aminoácidos de dois   Outro efeito positivo das larvas de insetos é o seu
                                tipos de farinhas de insetos e na tabela 3 o perfil de   elevado conteúdo em ácido láurico (Spranghers et
                                ácidos gordos das farinhas de insetos. Nesta última   al., 2017), que também apresenta efeitos antimicro-
                                tabela, a variabilidade do perfil de ácidos gordos da   bianos sobre a microbiota intestinal, sobretudo fren-
                                farinha de Hermetia illucens é devida aos diferentes   te a bactérias gram positivas (Skrivanová et al.,
                                substratos utilizados.                 2005). Estes efeitos observam -se, sobretudo quando
                                 Ainda que se possa trabalhar com larvas de inse-  o estado sanitário dos animais não é ótimo (Schiano-
                                tos, não tendo o seu corpo tanto conteúdo em quitina   ve et al., 2018).
                                                                         Não obstante, há muitas restrições ao uso de fari-
                                                                       nhas de invertebrados na alimentação animal, espe-
                                                                       cialmente pela própria produção de farinhas que, até
                                                                       ao momento, não criou padrões de uniformização e
                                                                       não alcançou nem volumes de produção, nem preços
                                                                       competitivos. Também, à data de hoje, na União Eu-
                                                                       ropeia apenas é permitido o seu uso em piscicultura.
                                                                         Finalmente, é necessário acrescentar que, com a
                                                                       incorporação deste tipo de ingredientes na dieta das
                                                                       aves de capoeira, seria necessário recalcular e reajus-
                                                                       tar os aportes de nutrientes, pois podem ter um efeito
                                                                       direto sobre os tempos de trânsito pelas diferentes
                                                                       partes do trato gastrintestinal, o que levaria a uma
                                                                       modificação da quantidade de alimento ingerido e,
                                                                       portanto, dos aportes de nutrientes que a ave ingerirá.  •


        Figura 3. Larvas-da-farinha.                                   Bibliografia na posse da editora.

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