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cados ao diagnóstico laboratorial, sendo difícil obter
dados oficiais de cada país. Não obstante, na maior
parte dos estudos reportados, o aborto enzoótico
ovino, causado por Chlamydia abortus, é a principal
causa de aborto ovino na Europa.
O aborto enzoótico ovino
A bactéria intracelular obrigatória Chlamydia abor‑
tus (anteriormente Chlamydophila abortus) é o
agente etiológico do aborto enzoótico dos pequenos
ruminantes, ou mais conhecido como aborto enzoó-
tico ovino (AEO). A doença foi descrita pela primei-
ra vez na Escócia em 1936, mas foi apenas em 1950
que Stamp descreveu a natureza infeciosa do AEO.
Esta doença, de nível mundial (à exceção da Austrá-
lia e Nova Zelândia), foi descrita como sendo a prin-
cipal causa de aborto infecioso em pequenos rumi-
nantes em vários países como o Reino Unido, França,
Holanda, Alemanha e também Espanha onde se Figura 2. Esquema onde são representadas as principais metodologias utilizadas no diagnóstico
atingem taxas de entre 35 -65% dos abortos diagnos- laboratorial do AEO em função das amostras recolhidas após um surto abortivo.
ticados, de acordo com a região no estudo. Embora
o aborto (Figura 1) seja o sinal clínico mais evidente
da infeção por C. abortus, por vezes esta também três anos posteriores, favorecendo desta forma a ma-
pode ocasionar epididimite, artrite, conjuntivite e nutenção e a disseminação da doença no rebanho
pneumonia. afetado e dificultando a sua erradicação. As fêmeas
que abortam apresentam descargas vaginais, sendo as
Epidemiologia principais responsáveis pela transmissão da doença.
Nas ovelhas, a excreção de clamídias é produzida mas-
O AEO afeta principalmente o gado ovino, embora sivamente no momento do aborto e nos 2 dias seguin-
também possa afetar o gado caprino. Aparece pela tes, depois continuarão a excretar através da vagina de
primeira vez numa exploração quando são introdu- forma intermitente durante mais 2 a 4 semanas.
zidos animais de reposição portadores assintomáticos O contágio pode produzir -se por via oronasal me-
de C. abortus. No início os abortos aparecem de diante a ingestão de clamídias presentes na água ou
forma isolada, mas rapidamente podem aumentar na comida contaminadas ou devido a lamber e inge-
chegando a afetar entre 30 -40% dos animais de todas rir restos placentários. De forma pouco significativa,
as idades. A esta elevada percentagem de abortos são descritas como vias de transmissão a via venérea.
soma -se uma elevada mortalidade dos cordeiros, a
redução drástica na produção láctea da exploração e Patogénese e manifestações
complicações que podem ser causa de infertilidade, clínicas
o que implica importantes perdas económicas.
Nos países em que o cio das ovelhas é sazonal, as Quando a infeção se produz em fêmeas não gestantes,
fêmeas apenas são suscetíveis de contágio no final da as clamídias ficam alojadas de forma latente nos nó-
gestação, não ocorrendo o aborto nesse momento. dulos linfáticos até à gestação seguinte. Quando as
No entanto, as fêmeas infetadas permanecem como ovelhas estão em período de gestação, as alterações
portadoras latentes da infeção, até que o micro- que afetam a placenta só são evidentes a partir do dia
-organismo seja reativado na gestação seguinte, e na 90 da gestação, coincidindo com as alterações hormo-
maioria dos casos as fêmeas abortam duas ou três nais. A partir deste dia, as clamídias multiplicam -se de
semanas antes da data prevista do parto. Em algumas forma massiva na placenta, ocasionando importantes
situações, as fêmeas afetadas parem no final do tem- alterações patológicas na união feto -placentária, o que
po, mas os seus cordeiros nascem mortos ou muito levará ao aparecimento de abortos nas etapas finais da
fracos e morrem poucos dias depois ou sofrem um gestação, entre os dias 125 a 140.
atraso considerável no crescimento. Os abortos são produzidos como consequência da
Após o aborto, é induzida uma resposta imunológi- destruição do epitélio coriónico da placenta tanto
ca protetora que protege as fêmeas infetadas de abor- pela parte materna como fetal, a trombose vascular
tos sucessivos, embora continuem a excretar C. abor‑ dos cotilédones afetados e os processos inflamatórios
tus ocasionalmente durante os partos e nos cios nos que são induzidos na fêmea e no feto. Quando a
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