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Atualidade profissional
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Vírus sincicial respiratório bovino
e o seu papel no complexo
respiratório bovino
O vírus respiratório sincicial bovino (BRSV) é um dos, se não o mais importante vírus respiratório
envolvido no complexo da doença respiratória bovina (DRB) em animais com menos de um ano
de idade, sendo os outros agentes os vírus BVD, IBR, PI3, Coronavírus, e as bactérias Mannheimia
haemolytica, Pasteurella multocida, Histophilus somni e Mycoplasma bovis.
Colin Lindsay A pneumonia bovina é uma interação complexa entre formação de bolhas e enfisema dos tecidos. Em casos
Capontree Vets – Reino Unido agentes infeciosos, ambiente, nutrição e stress. graves, pode surgir enfisema dos tecidos subcutâneos
A determinação do grau de complexidade destas do animal.
interações é um trabalho em curso. Foi demonstrado Os surtos de BRSV estão associados a uma eleva-
que, no caso do BRSV, a citopatologia in vitro é re- da morbilidade (60 -80%) com uma taxa de mortali-
duzida ou inexistente. (13) A sugestão da resposta dade de 20 -30%.
do hospedeiro ao vírus desempenha um papel funda- Os sintomas podem ser graves, variando desde
mental na patologia do BRSV. Está igualmente bem mortes súbitas, início agudo de depressão, pirexia,
estabelecido que os efeitos imunossupressores do respiração pela boca, extensão da cabeça, formação de
vírus BVD em conjunto com o BRSV contribuem espuma na boca, esforço respiratório grave e roncos
para o desenvolvimento da DRB. (1) O próprio vírus expiratórios. O exame físico pode revelar crepitações
BRSV também predispõe os animais a infeções bac- em todo o campo pulmonar e enfisema subcutâneo.
terianas secundárias. (12) Os casos menos afetados podem apresentar pi-
Assim, o BRSV é um importante fator contributi- rexia, esforço respiratório e uma descarga naso-
vo para o resultado da pneumonia. Interage com -ocular grave. Estes podem ser difíceis de diferenciar
outros agentes presentes, manipulando a resposta de outros agentes infeciosos dentro do complexo da
imunológica do hospedeiro, por um lado regulando DRB, sendo necessário um diagnóstico adicional.
por baixo permitindo que outros agentes se estabele- Os animais que sobrevivem podem permanecer
çam, por outro regulando por cima resultando numa com danos crónicos a longo prazo nos pulmões. É
patologia mais profunda. (13) bem reconhecido que à medida que a gravidade e o
A distribuição do BRSV é mundial. O vírus causa, número de surtos repetidos aumentam, o grau de
frequentemente, surtos de pneumonia durante o danos nos pulmões e a taxa de mortalidade também
período de inverno, representando e estando envol- aumentam. Isto resulta numa diminuição de ganho
vido em 60% dos surtos de pneumonia nas vitelas de peso vivo e numa menor qualidade das carcaças.
leiteiras e até 70% nos vitelos de carne. No Reino Num surto, os animais que apresentavam sintomas
Unido, existe uma seroprevalência de 30 -70% em tiveram uma relação peso/idade constantemente in-
bovinos, com mais de 70% nos vitelos de carne ex- ferior (4 -10%), durante o período de 8 meses do
postos ao BRSV antes dos 9 meses. Nos Países Bai- estudo, equivalendo a um menor ganho diário na
xos, 35% das vitelas de leite apresentavam evidência ordem de 111 g/dia. (4,7,9)
de exposição entre os 5 e os 11 meses. A imunidade colostral pode fornecer algum grau de
Os sinais clínicos são observados principalmente proteção, no entanto, menos de 10% dos anticorpos
em animais com menos de 1 ano. No entanto, a in- do colostro são IgA, e as IgG intactas não são trans-
trodução do vírus numa exploração naive pode re- portadas para as secreções mucosas. A semivida das
sultar em doença profunda em todas as faixas etárias IgA é de 2,5 dias, assim, embora as amostras de sangue
de animais. dos vitelos possam demonstrar uma proteção sistémi-
O BRSV ataca e replica -se nas camadas superfi- ca adequada, a proteção local mais importante (IgA)
ciais do epitélio respiratório ciliado e dos pneumóci- nas secreções respiratórias diminui rapidamente. (3)
tos de tipo II. Isto resulta na rutura da integridade do
revestimento, comprometendo o mecanismo de de- Estabelecer um diagnóstico
puração e permitindo que as bactérias penetrem nos
tecidos. Por vezes, a rutura pode ser tão grave, que Devido à prevalência disseminada do vírus e à inte-
pode ocorrer uma fuga do ar do lúmen das vias res- ração com o sistema imunitário do hospedeiro, pode
piratórias para o tecido intersticial, resultando na ser difícil estabelecer um diagnóstico definitivo.
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