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da para o controlo da doença. Nutrição adequada, dos vírus e na sua patogenicidade. Foi demonstrado
explorações fechadas, sistemas tudo dentro – tudo em estudos recentes que o BRSV está a evoluir rapi-
fora, alojamento adequado, bem-estar animal e ma- damente, em parte como resposta aos programas de
neio do colostro são fatores cruciais. vacinação. Este facto realça a importância de atuali-
Também estão disponíveis no mercado diversas zar as estirpes vacinais e de utilizar tecnologias mo-
vacinas para controlo e prevenção do BRSV. Estas dernas. (2,8,14) •
vacinas podem ser administradas por via intranasal
para estimular a imunidade local ou por via sistémica. REFERÊNCIAS
Existe uma enorme variação na eficácia e duração da
imunidade das diferentes vacinas e vias de adminis- 1. Abdulrahman A et al. (2017). Type 2 BVDV N Pro
tração. É essencial seguir as recomendações dos fa- suppresses IFN ‑1 Pathway signalling in bovine cells and
bricantes relativamente ao intervalo entre doses, via augments BRSV replication. Virology 507: 123 -134.
de administração e idade ao início da vacinação. 2. Baker JC et al. (1992). Identification of Subgroups of
A proteção dos vitelos jovens, com menos de 12 Bovine Respiratory Syncytial Virus. Journal of Clinical Mi-
semanas, é sempre um desafio, tal como a interferên- crobiology 30(5): 1120 -6.
cia dos anticorpos de origem materna com a vacina- 3. Butler JE et al. (1986). The metabolism and transport
ção parentérica. As vacinas intranasais têm sido a of bovine serum SIgA. Comp. Immunol. Microbio. Infect.
resposta a esta questão. Dis. 9: 303–315.
4. Williams, P & Green, L (2007). Associations between
Programas Dual Prime Booster lung lesions and grade and estimated daily live weight gain
in bull beef at slaughter. Cattle Practice, Vol 15, part 3:
O conceito de expor o sistema imunitário a um 244 -249.
antigénio, por diferentes vias, primeiro estimula- 5. Ellis JA (2017). How efficacious are vaccines against
ção da musosa nasal e depois reforço sistémico bovine respiratory syncytial virus in cattle. Vet Microbiol
(Programa Dual Prime Booster), irá alcançar uma 206: 58 -68.
resposta equilibrada e durável a nível imunológico 6. Katarzyna Dudek et al. (2014). Stimulation and
e deverá ser o caminho a seguir no desenvolvimen- analysis of the immune response in calves from vaccinated
to de quaisquer novas vacinas respiratórias. pregnant Cows. Research in Veterinary Science 97: 32 -37.
A aplicação inicial da vacina por via intranasal 7. Klem TB et al. (2016). Bovine respiratory syncytial
oferece duas respostas importantes: virus outbreak reduced bulls’ weight gain and feed conver‑
• em primeiro lugar, proporciona uma imunidade sion for eight months in a Norwegian beef herd. Acta Vet
local rápida ao revestimento das vias respirató- Scand 58: 8.
rias em vitelos muito jovens, desde a primeira 8. Krešic´ N et al. (2018). Genetic analysis of bovine
semana de vida, apesar da presença da imunida- respiratory syncytial virus in Croatia. Comparative Immu-
de colostral. nology, Microbiology and Infectious Diseases 58: 52 -57.
• em segundo lugar, esta primeira dose proporcio- 9. Pardon et al. (2013). Impact of respiratory disease,
na uma resposta amnéstica para a segunda dose, diarrhea, otitis and arthritis on mortality and carcass traits
que pode ser administrada por via sistémica in white veal calves. BMC Veterinary Research 9: 79.
numa idade em que a imunidade colostral já di- 10. Stoltenow C et al. (2011). Immunologic response of
minuiu. Esta segunda via oferece uma maior du- beef calves to concurrent application of modified ‑live viral
ração da imunidade/proteção. (5) vaccine (intranasal and systemic administration) and sys‑
Os dados serológicos de ensaios no terreno de- temically administered Mannheimia haemolytica bacterin‑
monstraram que a vacinação intranasal neonatal e o ‑leukotoxoid. Bov Pract, 45(2):132–138
reforço parentérico no desmame, em comparação 11. Stokka GL et al. (2016). Serological effect of two
com um regime parentérico tradicional de 2 doses, concurrent IBRV, BVDV, BRSV, PI3V, and Mannheimia
resultaram em respostas anamnésticas significativa- haemolytica vaccination protocols and time interval bet‑
mente mais elevadas ao BRSV após a segunda vaci- ween the first and second dose on the subsequent serologi‑
nação. (10,11) cal response to the BRSV and M. haemolytica fractions in
suckling beef calves. Bov Pract 50(1): 21 -27.
Novas estirpes de BRSV 12. Sudaryatma PE et al. (2018). BRSV infection enhan‑
ces P. multocida adherence on respiratory epithelial cells.
Com os avanços da tecnologia, tal como a codificação Vet Microbiol 220: 33 -38.
genética, está a tornar -se evidente que o BRSV apre- 13. Valarcher JF, Taylor G (2007). Bovine Respiratory
senta diversidade genética. Com base na sequencia- Syncytial Virus Infection. Vet Res 38: 153 -180.
ção da proteína G, existem seis subgrupos genéticos 14. Valarcher JF et al. (2000). Evolution of Bovine Res‑
diferentes, e cinco subgrupos diferentes das proteínas piratory Syncytial Virus. Journal of Virology
N e F. Estas proteínas são importantes na expressão p10714 -10728.
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