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O IMPACTO DA VENTILAÇÃO NÃO INVASIVA
NA INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA AGUDA

Elsa Fragoso






A ventilação não invasiva (VNI) teve os seus primórdios há mais de 100 anos, no
entanto, foi com a epidemia de poliomielite nas décadas de 1940 e 1950 que esta

modalidade se desenvolveu, através da aplicação do chamado pulmão de aço aos

doentes com insuficiência respiratória. Este aparelho permitia suportar a ventilação com
recurso à pressão negativa exercida no seu interior. O pulmão de aço e suas variantes

constituíram a base dos programas mais precoces de ventilação domiciliária até que, a
partir da década de 1950 e em diante, a erradicação da poliomielite aliada ao

desenvolvimento de equipamentos de ventilação por pressão positiva com recurso à
intubação traquealmudaram o curso da história da ventilação não invasiva por completo.

No final dos anos ’80, especificamente em 1987, Delaubier e Rideau instituíramVNI

com pressão positiva intermitente (NIPPV) por máscara nasal num doente com
insuficiência respiratória no contexto de distrofia muscular de Duchenne, com sucesso.

A VNI neste doente foi efectuada com recurso a um equipamento que havia sido
desenvolvido por Sullivan em 1980 para tratar doentes com apneia obstrutiva do sono, e

a publicação do referido caso clínico foi um marco evolutivo na história da VNI
moderna.

Nos anos ’90, o âmbito de aplicação da VNI alargou-se consideravelmente, à medida

que iam surgindo publicações de séries de casos com bons resultados. O
desenvolvimento de equipamentos e interfaces foi exponencial. A VNI por pressão

negativa era, à data, residual. A VNI expandiu-se como modalidade de suporte
ventilatório dos doentes com insuficiência respiratória secundária a patologia

neuromuscular, patologia da caixa torácica, sequelas de tuberculose e, posteriormente,

na hipoventilação associada à obesidade, patologias denominadas restritivas, dado o seu
padrão funcional respiratório e radiológico. Posteriormente, começaram a surgir relatos

da sua utilização em outras patologias, tais como na DPOC ou em doentes com
bronquiectasias, embora com menor eficácia. Os ventiladores volumétricos constituíram

os primórdios da VNI domiciliária moderna até que, em 1992, a PhillipsRespironics

lançou o BiPAP®, um ventilador desenvolvido inicialmente para tratar doentes com
síndromes de apneia do sono que não toleravam as pressões altas no CPAP. Foi o início
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