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no que concerne a heterogeneidade da população dos diversos estudos incluídos, ao
mesmo tempo que lança a questão sobre a eficácia da VNI versus oxigenoterapia de alto

fluxo (HFNO), já que em alguns dos estudos incluídos na meta-análise, a
oxigenoterapia administrada foi de alto fluxo e não convencional, potencialmente

contaminando os resultados finais.

A VNI como estratégia de tratamento da insuficiência respiratória aguda (IRA)
hipoxémica tem sido alvo de debate constante. Se, por um lado, são potencialmente

extrapoláveis para estes doentes os benefícios reconhecidos da VNI, por outro lado têm

sido vários os trabalhos a demonstrar um aumento da mortalidade nos doentes em que a
VNI falha, sobretudo atribuível ao atraso da intubação traqueal. Em 2004, foi publicada

por Keenan e colaboradores uma revisão sistemática com base em estudos do início dos
anos 2000, que sugeria a redução da taxa de intubação traqueal nos doentes com IRA

hipoxémica sob VNI, excluídas as situações de DPOC agudizada e edema agudo do
pulmãocardiogénico. Contudo, foram incluídos doentes hipercápnicos, o que pode ter

sobrestimado o benefício da VNI versus oxigenoterapia convencional. Os estudos que

se sucederam nos anos seguintes vieram confirmar a incerteza destes resultados. A este
propósito, foi publicada este ano no CriticalCare Medicine, uma revisão sistemática e

meta-análise sobre a eficácia da VNI na IRA hipoxémica não hipercápnica. Foram
excluídos desta análise os doentes com exacerbações de DPOC e EAP cardiogénico,

bem como doentes com PaCO2 >50mmHg e doentes em que o comparador não foi a
oxigenoterapia convencional (ou seja, foram excluídos os doentes em que a VNI foi

comparada com a VMI ou a HFNO). Segundo os autores, a VNI reduziu a taxa de

intubação traqueal (RR 0.59, IC 95% 0.44-0.79, p=0.0004), sem diferenças na análise
de subgrupos entre os diferentes tipos de modos ventilatórios ou a gravidade da

insuficiência respiratória (avaliada pela relação PaO2/FiO2). Curiosamente, não teve
impacto global na redução da mortalidade na UCI (RR 0.73, IC 95% 0.51-1.03,

p=0.08). A análise de subgrupos, contudo, mostrou impacto na mortalidade nos doentes

submetidos a modalidade binível versus CPAP. Os autores referem não ter efectuado a
análise de interfaces para comparação da máscara facial versus o capacete dada a

escassez de dados sobre a utilização deste interface na IRA hipoxémica, contudo, os
resultados parecem ser promissores, de acordo com um estudo randomizado e

controlado publicado no JAMA em 2016, que utilizou a VNI com capacete em doentes

com ARDS e demonstrou a redução da taxa de intubação traqueal e mortalidade aos 90
dias. Já em relação à mortalidade hospitalar, os autores mostram a redução da mesma
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