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rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2020;61(3):141-147 143
Por se tratar de uma população pequena, foi utilizada chamou de dor do procedimento, e considerando o paciente
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amostragem consecutiva, ou seja, foram arrolados consecu- como unidade de análise, na designada dor média do pacien-
tivamente todos os pacientes que atendiam aos critérios de te (DMP). A DMP foi a média de dor dos procedimentos aos
seleção da amostra, durante o período estipulado para a cole- quais o paciente foi submetido.
ta dos dados. Os dados foram analisados através do programa estatístico
A seleção da amostra levou em consideração a caracte- SPSS versão 20. Através de estatística exploratória, incluindo
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rística do paciente e do procedimento odontológico. Quanto a verificação da normalidade da distribuição dos dados quan-
ao paciente, foram incluídos aqueles com diagnóstico clínico titativos usando teste de Komolgorov -Smirnov, verificou -se
de DP idiopática, segundo avaliação de médico Neurologista. que a dor do procedimento e a DMP não apresentavam distri-
Nenhum paciente abordado recusou -se a participar da pes- buição normal e que testes não -paramétricos não ilustravam
quisa. Quanto ao procedimento, foram acompanhados 80% bem suas relações com outras variáveis. Isso indicou a neces-
daqueles realizados pelo projeto de extensão e destes foram sidade de categorização dessas variáveis para o processamen-
incluídos os procedimentos do tipo invasivo, seja cirúrgico to da estatística analítica.
(como exodontia e outras cirurgias odontológicas) ou não- Na estatística descritiva, a dor do procedimento e a DMP
-cirúrgico (como restauração, raspagem periodontal e proce- foram abordadas como variáveis quantitativas, sendo deter-
dimentos endodônticos); ou seja, aquele procedimento que minados médias e desvios padrão, e como variáveis categóri-
corta, perfura, escarifica ou invade o tecido bucal ou dentário cas, sendo determinadas as frequências das categorias de dor.
e, consequentemente, possui maior probabilidade de causar Essas categorias foram definidas considerando -se intervalos
dor. consecutivos da escala de dor, assim como em outros estudos.
Foram excluídos os procedimentos odontológicos do tipo (10 -12) Para a dor do procedimento, os intervalos e categorias
não -invasivo, como exame clínico, radiografia, profilaxia, apli- foram: 0 = ausente; 0,5 -3,0 = leve; 3,5 -6,5 = moderada; 7,0 -9,5
cação tópica de flúor, moldagem, ajuste de prótese removível = forte; 10 = insuportável. Para a DMP, as categorias foram as
etc. Esse tipo de procedimento representa 26% daqueles reali- mesmas, mas os intervalos têm pequenos ajustes porque são
zados pelo projeto de extensão, enquanto o invasivo 74%. possíveis valores menores que 0,5, já que a DMP é o resultado
O processo descrito resultou em uma amostra de 70 pacien- de uma média: 0 = ausente; 0,1 -3,0 = leve; 3,1 -6,9 = moderada;
tes com DP e de 217 procedimentos odontológicos invasivos. 7,0 -9,9 = forte; 10 = insuportável.
Um dos pesquisadores coletou as informações sobre gêne- Por fim, foi realizada estatística analítica, na qual se testou
ro e idade dos pacientes, bem como o procedimento odonto- a existência de associação significativa entre a DMP e o gêne-
lógico realizado, diretamente dos prontuários odontológicos. ro e a idade dos pacientes com DP, bem como, entre a intensi-
A informação sobre a dor foi coletada, logo após o atendi- dade de dor do procedimento e o tipo de procedimento odon-
mento, por meio de uma Escala Numérica de Dor de 21 pontos tológico. O teste estatístico para verificar essa associação foi o
(Figura 1). Com a escala impressa, o pesquisador explicava a teste Qui -quadrado.
mesma ao paciente e solicitava que ele indicasse a intensida- Para a estatística analítica, a dor do procedimento e a
de da dor que sentiu assinalando um X em um dos números DMP foram categorizadas em dois níveis: < 1,0 e ≥ 1,0. Essa
da escala ou informando oralmente esse número. Ademais, categorização usou como referência as médias de dor do
era dito ao paciente: “saiba que 0 significa que você não sentiu procedimento e de DMP arredondadas para valor inteiro
dor alguma e os demais valores indicam alguma dor, sendo 0,5 mais próximo. Também a idade do paciente foi categoriza-
um mínimo de dor e 10 a pior dor possível”. Escalas numéricas da com base em sua média. Em relação à variável “tipo de
de dor são bastante utilizadas em estudos científicos, em di- procedimento odontológico”, foram considerados anestesia
ferentes condições clínicas e experimentais, em indivíduos de local, endodontia, exodontia, raspagem periodontal e res-
distintas idades, condições sócioeconómicas e culturas. Elas tauração. Procedimentos que tiveram número muito redu-
incluem escalas com 21 pontos e têm confiabilidade e valida- zido de ocorrência foram excluídos dessa análise: remoção
de comprovadas. 9-11 de sutura, gengivectomia, ajuste oclusal por desgaste e des-
Quando e se o paciente foi submetido a outro procedimen- gaste dentário com finalidade protética. A administração
to invasivo, a informação sobre a dor foi verificada novamen- da anestesia local foi incluída como uma categoria especí-
te, resultando em um registro de dor para cada procedimento fica tendo em vista sua importância para o processo de
realizado no mesmo paciente. dor. 10,13,14
A dor ao tratamento foi determinada considerando o pro- Em todos os testes estatísticos foi utilizado como referên-
cedimento odontológico como unidade de análise, o que se cia o nível de significância de 5%.
Figura 1. Escala Numérica de Dor de 21 pontos. Valores inteiros de 0 a 10 intercalados com valores médios entre os
números inteiros resultam nos 21 pontos possíveis de serem assinalados.

