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rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2017;58(4):236-240         237


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           Introdução
                                                               que o dente 38 estava parcialmente erupcionado e exibia na face
           Inicialmente descrito por Main em 1970,  e definido em 1992   distal área eritematosa circunscrita e edemaciada.
                                           1,2
           pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “um cisto   Ao exame radiográfico foi observada uma reabsorção óssea
           ocorrendo próximo à margem cervical lateral de uma raiz   em formato semilunar radiotransparente de aproximadamen-
           dental, como consequência de um processo inflamatório   te 0,5 cm na distal da coroa do dente 38, com seu término
           oriundo de uma bolsa periodontal”, o Cisto Paradental (CP) foi   próximo à junção cemento -esmalte (Figura 1).
           classificado como um cisto odontogénico inflamatório junta-  Foi aplicado o teste de sensibilidade pulpar nos dentes 36,
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           mente com o cisto radicular.  A terminologia do CP foi revista   37 e 38, que responderam positivamente, excluindo a possibi-

           na última edição da Classificação dos Tumores de Cabeça e   lidade da lesão ser de origem pulpar.
           Pescoço (4.ª ed), publicada em 2017 pela OMS, classificado no   As hipóteses diagnósticas foram de hiperplasia do folículo
           grupo de Cistos Inflamatórios Colaterais. 4         pericoronário, bolsa periodontal, cisto dentígero (CD), Cisto
              Dentre as características clínicas do CP está a presença de   Paradental, tumor queratocisto odontogénico, ameloblastoma
           um constante processo inflamatório periodontal ou pericoro-  e cisto gengival.
           narite. Poucos sinais e sintomas são apresentados, incluindo   Foi realizada a exérese da lesão e exodontia do dente 38. O
           desconforto, sensibilidade, dor moderada e supuração através   material obtido foi fixado em formol a 10% e enviado para
           do sulco periodontal. 2,5  Alguns casos são assintomáticos e   exame anatomopatológico (Figura 2).
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           diagnosticados radiograficamente de forma inesperada,  en-  Os cortes histológicos revelaram cápsula de tecido conjun-
           quanto que outros permanecem indetectáveis clinicamente e   tivo fibroso invadido por infiltrado inflamatório linfocitário, e
           radiograficamente por um longo período. 7           epitélio escamoso estratificado não queratinizado com carac-
              O CP ocorre geralmente na face vestibular ou disto-
           vestibular de um dente parcialmente ou completamente ir-
           rompido  e raramente na face mesial. 3,10  A maioria dos casos
                  8,9
           descreve o CP em relação ao terceiro molar inferior, 2,3,7,9,11  em-
           bora possa ocorrer tanto no primeiro ou segundo molares, 10,12
                                     13
           sendo raro em incisivos, caninos  e pré -molares. 8
              Radiograficamente a lesão apresenta imagem radiolúcida
           bem definida simulando uma doença periapical ou periodon-
           tal, envolvendo uma ou ambas as raízes dos dentes 7,12  ou uma
           reabsorção óssea com aspeto semilunar. 11,13  O ligamento pe-
           riodontal e a lâmina dura estão intactos e contínuos ao redor
           da raiz pelo fato do componente inflamatório não ser de ori-
           gem endodôntica. 14,15,16
              O CP não pode ser diferenciado histopatologicamente de
           outros cistos odontogénicos de origem inflamatória. 7,8,16,17  A
           cápsula de tecido conjuntivo exibe grande infiltração inflama-
           tória, sendo revestida por epitélio escamoso estratificado não
           queratinizado hiperplásico. 2,3,7,8,11,13,17,18      Figura 1. Radiografia periapical demonstrando a
              A prevalência do CP varia de 1% a 5% de todos os cistos   imagem radiotransparente na distal do dente 38, com
           odontogénicos, 7,11,18,19  o que justifica sua inclusão no grupo de   limite na junção cemento -esmalte.

           lesões raras. 8,20  Acredita -se que o CP seja mais comum do que
           relatado na literatura, considerando a alta incidência de pro-
           cessos inflamatórios periodontais na região de terceiros mo-
           lares. 2,11,21,22
              O propósito do presente trabalho é relatar os achados clí-
           nicos, radiográficos e histológicos de um caso de CP associado
           a um terceiro molar inferior.



           Caso clínico

           Paciente do género feminino, 25 anos de idade, leucoderma,
           procurou a Policlínica Odontológica Getúlio Vargas do Curso
           de Odontologia da Universidade de Uberaba, para a exodontia
           dos terceiros molares.
              Após a obtenção do Termo de Consentimento Livre e Escla-
           recido assinado pela paciente, procedeu -se com a anamnese,
           exame físico extra e intrabucal. A paciente relatou não apresen-  Figura 2. Material enviado para exame anatomopatológico.
           tar problemas sistémicos e ao exame físico extrabucal não foram
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