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rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2017;58(4):225-230         229


           com a idade e a cronologia de erupção. Nos grupos com e sem   coorte, entre os artigos da revisão, não foram observadas dife-
           diabetes, pacientes de ambos os sexos foram examinados, o   renças com significância estatística, entre a condição perio-
           que não comprometeu a interpretação dos resultados. De   dontal de casos e controlos. 29
           acordo com a literatura, alterações patológicas, como gengi-  As periodontopatias caracterizam -se por um grupo de pa-
           vites e periodontites, podem estar associadas ao sexo do in-  tologias que acometem os tecidos responsáveis pela proteção
           divíduo, contudo, influenciadas por alterações hormonais,   dos dentes e sua inserção no tecido ósseo alveolar, mandibular
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           principalmente femininas, como: na puberdade, gravidez e   ou maxilar.  A etiopatogenia pode estar associada a processos
           menopausa, hipóteses que, como regra, não correspondem à   inflamatórios, traumáticos, neoplásicos, alterações genéticas
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           fase do ciclo vital ora estudada. 1,19  Por outro lado, o sexo mas-  e metabólicas.  Grupos de microorganismos anaeróbios no
           culino pode representar um fator de risco, quando aspetos   biofilme dental, no entanto, são conhecidos como os principais
           socioculturais podem influenciar num menor cuidado com a   agentes etiológicos e a resposta do hospedeiro frente à infeção
           saúde e higiene pessoal e ainda, a uma maior exposição ao   pode ser a principal responsável pelo dano tecidual.  Nos pa-
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           tabaco e ao álcool. 19,23  Estudo em pacientes com DM1, entre 7   cientes com DM, deficiências na quimiotaxia, adesão e fagoci-
           e 19 anos de idade, identificaram um percentual de indivíduos   tose dos neutrófilos facilitam a persistência e a proliferação
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           (62,8%) com presença de placa abundante e maior sangramen-  de agentes patogênicos.  De acordo com a literatura, observa-
           to à sondagem, significativamente maior no género masculi-  -se entre pacientes com diabetes, uma resposta mais exacer-
           no. Nesta pesquisa, no entanto, a relação com o género não   bada de monócitos e macrófagos, que pode ser induzida por
           foi significativa.                                  uma maior concentração de mediadores inflamatórios no flui-
              Após o exame da PS, com base em critérios objetivos para   do gengival, refletindo numa maior atividade inflamatória
           diagnóstico, não foi identificada a presença de gengivite. Estu-  local, nem sempre compatível com a quantidade ou qualidade
           dos epidemiológicos, contudo, indicam a presença da gengivi-  e atividade do agente agressor. 32
           te como achado comum em crianças. 27,28  Vários trabalhos que   A manutenção da saúde da criança com DM1 representa
           pesquisam a gengivite em crianças e adolescentes, no entan-  um desafio diário. Na prevenção de quadros infecciosos e
                                                                                                     29
           to, utilizam critérios subjetivos para o diagnóstico da doença   complicações, o controlo da glicémia é essencial.  Baseia -se
           e assim, apresentam diferentes resultados. De acordo com   na educação alimentar, que deve manter o padrão calórico e
           Toledo,  muitos vieses de confusão podem acontecer, pois o   nutricional adequados ao crescimento e desenvolvimento
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           periodonto de crianças e adolescentes podem apresentar al-  normais; na insulinoterapia, que pode variar com relação às
           teração de cor, volume e forma, associados a alterações fisio-  idades e necessidades individuais, com diferentes dosagens,
           lógicas nos períodos de esfoliação dos dentes ou erupção den-  tempo de ação e intervalos de administração a tratamentos
           tária, o que não é doença.                          através de bombas de infusão contínuas; além da atividade
              Apesar da ausência da inflamação, foi identificada a pre-  física regular. A automonitorização glicémica, com a medida
           sença de placa visível na maioria dos pacientes. Nas crianças   da glicemia capilar e a dosagem da hemoglobina glicada são
           com DM1, em 69,37% das superfícies dentais, e na quase tota-  indicadas na monitorização e avaliação do paciente, permi-
           lidade das faces, no grupo controlo (81,18%). O acúmulo e me-  tindo ajustes e alterações nas dosagens e orientações, evi-
           tabolismo de bactérias sobre tecidos dentais representam fa-  tando complicações micro e macrovasculares e até danos
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           tores de risco para cáries, doenças periodontais e estomatites.    neurológicos. 2,29
           O controlo do biofilme melhor nos pacientes com DM1 pode   Nesta pesquisa, foram anotados os dados da HbA1c de to-
           estar associado ao perfil dos examinados, crianças sob uma   das as crianças do grupo dos casos. Os resultados variaram
           maior vigilância de higiene e dieta. No entanto, das 5.328 faces   entre 4% à 15%, sendo a média de 8,71%, indicando assim, um
           dentais examinadas, 3.696 apresentaram presença de placa   grande número de pacientes com controlo glicémico inade-
           visível nestes pacientes, sugere que ainda há muito o que se   quado. De acordo com as orientações da Sociedade Brasileira
           alertar, sobre a necessidade de uma atenção odontológica pre-  de Diabetes (2015 -2016),  um melhor controlo metabólico
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           ventiva, também neste grupo.                        acontece com os níveis de HbA1c abaixo dos 7%. Nestes pa-
              Quando os resultados da PS foram comparados, observou-  cientes, observou -se também, uma correlação entre a presen-
           -se que os pacientes do grupo controlo, apresentaram maior   ça do sangramento após sondagem, com até 2 vezes mais
           comprimento entre a margem da gengiva e a porção mais api-  chances de ocorrência, nos pacientes com valores da hemo-
           cal do sulco, com 2 mm, em 29,14% dos pontos examinados;   globina glicada acima dos níveis recomendados. Assim, apesar
           enquanto entre os pacientes com diabetes, apenas 10,80%   do não diagnóstico de gengivites ou periodontites nos pacien-
           apresentaram tal medida. A presença de maior acumulação de   tes examinados, nos pacientes com diabetes tipo 1 foram ob-
           biofilme nas superfícies dentárias, achado entre o grupo con-  servados vários fatores de risco associados, como a má higie-
           trolo, já representa condição essencial para o desenvolvimen-  ne bucal e a falta de controlo glicémico, situações que se não
           to de alterações no periodonto. Contudo, os valores entre 1 e   melhor conduzidas, a médio ou longo prazo podem resultar
           2 mm da profundidade de sondagem, ainda são considerados   em doenças bucais, riscos de perdas dentais e uma piora na
           dentro dos limites de normalidade, não representando qua-  condição sistêmica. 6,10,11,13,14
           dros patológicos. 1,19                                A higiene adequada, tratamentos odontológicos preventi-
              Numa revisão sistemática, após avaliados 37 estudos sobre   vos, restauradores e cirúrgicos, quando indicados, devem fazer
           a saúde oral de crianças com diabetes tipo 1, foi observado   parte da rotina de tratamentos, com consultas periódicas, per-
           maior índice de placa e maior PS, entre os pacientes com a   mitindo e corroborando para uma melhor qualidade de vida
           doença crónica, contudo, quando analisadas as pesquisas de   para estas crianças.
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