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rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2017;58(4):225-230         227


           tais públicos brasileiros. O grupo controlo, por 100 crianças
           atendidas na Clínica Escola do Centro Universitário Maurício
           de Nassau. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da
           UFPE sob o Parecer de N.º 912.145. Para os casos, foram sele-
           cionados os pacientes entre 6 e 13 anos de idade, com diag-
           nóstico de DM1 e com dentes permanentes em oclusão. Os
           valores atualizados da hemoglobina glicada (HbA1c) foram
           anotados. Crianças portadoras de outras alterações sistémi-
           cas ou que fizessem uso de aparelhos ortodônticos, não foram
           incluídas no estudo.
              Para o grupo controlo, foram selecionadas crianças na mes-
           ma faixa etária, sem diagnóstico de doenças sistémicas e que   Figura 1. Distribuição dos géneros dos pacientes segundo
           apresentassem dentes permanentes em oclusão. Pacientes   os grupos caso (com diabetes) e controlo (sem diabetes)
           que fizessem uso de aparelhos ortodônticos também não en-
           traram neste grupo.
              O exame periodontal foi realizado com a utilização de
           odontoscópios e sondas manuais milimetradas (PC15, Univer-
           sidade Carolina do Norte). Foram coletados os seguintes dados:
           Nível clínico de inserção (NIC); Profundidade à sondagem (PS),
           medida nos sítios: centro vestibular, mesio -vestibular e disto-
           -vestibular e centro -lingual, disto e mesio -lingual, dos dentes
           permanentes em oclusão. 24  Para o Sangramento à sondagem
           (SS) foi registada a presença ou ausência de sangramento, após
           30 segundos transcorridos da profundidade de sondagem.
                                                          25
           Presença de placa visível (IPV): foi registada a presença ou au-
           sência de placa bacteriana, sem utilização de sonda. 25
              A Doença periodontal foi classificada como: Gengivite,   Figura 2. Distribuição das idades dos pacientes segundo
           quando caracterizada pela presença de 25% ou mais de sítios   o grupo caso (com diabetes) e grupo controlo (sem diabetes)
           com sangramento à sondagem e nenhum sítio com NIC > 2
           mm.  Periodontite, quando caracterizada pelo achado de pelo
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           menos um sítio apresentando simultaneamente PS ≥ 4 mm e   fundidade de sondagem, portanto, foi maior nos pacientes do
           NIC ≥ 3 mm. Pacientes com hemoglobina glicada ≥ 7,0 % fo-  grupo controlo e essa diferença foi estatisticamente signifi-
                     24
           ram considerados com mal controlo glicémico. 2      cante (p≤0,05). Em relação ao SS, os pacientes com diabetes
              A pesquisadora realizou todos os exames clínicos periodon-  apresentaram 1,2 vezes mais chances de apresentar o sangra-
           tais nos pacientes do estudo. Previamente, foi calibrada por   mento, em relação aos pacientes sem diabetes(p≤0,05). O IPV
           uma especialista em periodontia e comparados os dados cole-  foi mais presente nos pacientes sem diabetes (81,18%) do que
           tados. Foi verificado um coeficiente de correlação intraclasse   nos pacientes com diabetes (69,37%) e essa diferença também
           (ICC), satisfatório para todas as análises (0,4 ≤ ICC < 0,75).  foi estatisticamente significante (p≤0,05) (Tabela 1).
              Para a análise dos dados, foram aplicados os testes de in-  Foi observado um baixo controlo glicémico no grupo caso,
           dependência do Qui -quadrado de Pearson e o de Razão de Ve-  com valores da HbA1c entre 8,71%, em média, chegando a 15%
           rossimilhança. Na comparação das médias de idade entre os   (Tabela 2). Quando foi considerado o SS e os valores da HbA1c,
           grupos foi utilizado o teste de Mann Whitney. Valores de p   observou -se que os pacientes com DM1 que apresentaram
           menores que 0,05 foram considerados estatisticamente signi-  HbA1c > 7%, apresentaram um número 2 vezes maior de san-
           ficantes. O Software utilizado foi o SPSS 20.0.     gramento após sondagem, que os pacientes com níveis glicé-
                                                               micos compensados (Tabela 3).
                                                                 Todos as crianças examinadas apresentaram o NIC dentro
           Resultados                                          da normalidade. Após a análise de todos os dados, não foi diag-
                                                               nosticada doença periodontal entre os grupos.
           O sexo masculino foi predominante em ambos os grupos,
           sem diferença significante (p=0,512) (Figura 1). As  crianças
           apresentaram diferentes idades, a maioria com 8 ou 11 anos,   Discussão
           o que também não representou diferença significante
           (p=0,139) (Figura 2).                               Para o desenvolvimento deste estudo, 160 crianças passaram
              No exame clínico, foram avaliados os dentes permanentes   pelo exame periodontal. O conhecimento das características
           em oclusão, com média de ± 5,97 a ± 7,25 dentes por pacientes   e alterações de normalidade do periodonto são essenciais, a
           casos e controlos, respetivamente. A maioria dos sítios exami-  fim de que falsas patologias não fossem diagnosticadas. Na
           nados nos pacientes com DM1 apresentou PS igual a 1 mm   criança, ocorrem variações fisiológicas, como maior presença
           (88,98%). No grupo controlo, 29,14% apresentaram PS igual a 2   de fibras de colagénio, menor queratinização do tecido epite-
           mm e em apenas 3 sítios, o resultado foi igual a 4 mm. A pro-  lial gengival; além de alterações ósseas, com espaços medu-
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