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Tabela 1. Hemograma realizado na primeira visita, que evidencia uma e a comer normalmente. Procedeu ‑se a um
acentuada leucocitose e descida do número de plaquetas. controlo ecográfico, no qual se observou um
novo aumento do diâmetro dos cornos ute‑
Teste Resultado Valor de referência rinos, que oscilavam entre 2 e 3 cm. Um novo
estudo hemático revelou que se mantinha a
RBC 6,94 5,5 - 8,5 M/µL
leucocitose, assim como um aumento de re‑
Hematócrito 44,0 37,0 - 55,0 % ticulócitos, uma maior redução de plaquetas
(tabela 3) e um aumento do lactato (tabela
Hemoglobina 14,4 12,0 - 18,0 g/dL
4). Os proprietários optaram então por sub‑
MCV 63,4 60,0 - 77,0 fL meter a paciente ao tratamento cirúrgico atra‑
MCH 20,8 18,5 - 30,0 pg vés de uma abordagem laparoscópica.
MCHC 32,8 30,0 - 37,5 g/dL Anestesia
RDW 17,2 14,7 - 17,9 % No dia do procedimento cirúrgico foram
realizadas novas análises hemáticas, sem que
Reticulócitos 1,1 %
fosse encontrada matéria de interesse acres‑
Reticulócitos 74,4 10 - 110 K/µL cido relativamente aos resultados anteriores.
Leucócitos 27,48 5,5 - 16,9 K/µL Em função do estudo pré ‑anestésico, a pa‑
ciente foi classificada com risco anestésico
Neutrófilos 86,0 % ASA III. O protocolo utilizado foi à base de
Linfocitos 4,1 % uma pré ‑medicação de dexmedetomidina (2
mg/Kg IV), juntamente com metadona (0,3
% Monocitos 7,9 % mg/Kg IM).
% Eosinófilos 2,0 % A indução foi realizada à base de um bolo
de propofol (1 mg/kg IV) e para manuten‑
% Basófilos 0,0 %
ção, com sevoflurano (2 ‑2,5%). O suporte
Neutrófilos 23,63 2 - 12 K/µLH ventilatório foi total com ventilação mecânica
VPPI controlada por pressão, a uma Ppico de
Linfócitos 1,13 0,5 - 4,9 K/µL
10 mmHg com mistura de gases frescos (ar e
Monocitos 2,17 0,3 - 2 K/µLH oxigénio). A paciente foi mantida sob vigilân‑
Eosinófilos 0,56 0,1 - 1,49 K/µL cia durante todo o procedimento através de
monitorização multiparamétrica: eletrocar‑
Basófilos 0 0 - 0,1 K/µL diograma, frequência cardíaca, frequência
Plaquetas 133 175 - 500 K/µL respiratória, saturação de O , capnografia,
2
pressão arterial não ‑invasiva (PANI‑
MPV 21,0 fL ‑oscilométrica), temperatura, gases anestési‑
PDW 23,0 % cos e espirometria de fluxo lateral para con‑
trolar a ventilação mecânica.
% Plaquetas 0,28 %
Durante a intervenção foram necessários
dois bolos de resgate analgésico com cetami‑
Tabela 2. O estudo bioquímico realizado na primeira visita evidenciou na a 1 mg/kg IV.
um aumento de globulinas e fosfatase alcalina.
Cirurgia
Teste Resultado Valor de referência Após a preparação do campo cirúrgico, a
paciente foi monitorizada e posicionada em
Glicose 120 74 - 143 mg/dL
decúbito dorsal (figuras 2 A, B e C). Criou ‑se
Creatinina 0,6 0,5 - 1,8 mg/dL um pneumoperitoneu inserindo uma agulha
de Veres em posição subcostal esquerda.
Ureia 8 7 - 27 mg/dL
Insuflou ‑se dióxido de carbono com um flu‑
Rácio BUN: Creatinina 13 xo de 1,5 l/min até alcançar uma pressão
Proteína total 9,0 5,2 - 8,2 g/dLH intra ‑abdominal de 12 mmHg.
Criou ‑se então a primeira porta de acesso
Albumina 2,8 2,3 - 4,0 g/dL em posição sub ‑umbilical com um trocar de
Globulinas 6,2 2,5 - 4,5 g/dLH 5 mm. Explorou ‑se a cavidade abdominal e
não se encontraram mais alterações para
Rácio Alb:Glob 0,5
além do aumento de tamanho dos cornos
ALT 66 10 - 125 U/L uterinos. Criaram ‑se as portas de trabalho em
posição subcostal esquerda (5 mm) e no hi‑
ALP 394 23 - 212 U/LH
pogástrio direito (10 mm).
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ANIMAL

