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Atualidade profissional
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leptospiras fora do hospedeiro (Thirmann, 1984;
Prescott, 1993; Ellis, 1994). Os animais infetados
eliminam leptospiras principalmente através da uri-
na. A colonização dos rins verifica -se na maioria dos
animais infetados e persiste nas células do epitélio
tubular, inclusive na presença de anticorpos neutra-
lizantes, o que determina que, se o animal sobrevive,
passe a um estado de portador, eliminando leptospi-
rose de forma intermitente durante meses.
O grau de infeção dos animais numa exploração
está relacionado com as condições climáticas, bem
como com o sistema de produção, o maneio e as
instalações, assim como com a virulência da serova-
riedade e a suscetibilidade do hospedeiro. Os meca-
nismos pelos quais se produz o dano nos tecidos
ainda não estão muito bem estabelecidos, ainda que
a resposta imunitária do hospedeiro esteja claramen-
No gado suíno, a leptospirose é caracterizada pelos seus efeitos sobre a reprodução. Fêmea de te implicada na sua patogénese com a formação de
suíno após um aborto por leptospirose. imunocomplexos, a libertação de citoquinas e a vas-
culite autoimune (Noel e Latimer, 2008).
tes espécies animais desse ecossistema que possam Sintomatologia
ser infetadas.
O suíno é um dos principais reservatórios de al- A leptospirose em explorações de suínos pode ser
guns serovares de leptospiras (serogrupo Pomona, subclínica, i.e., animais aparentemente sãos mas in-
Tarassovi e Austrlis), contribuindo esta espécie ani- fetados, salvo quando se manifesta pela primeira vez.
mal para a difusão da espiroqueta no meio ambiente, Os sinais mais comuns são abortos a termo, infertili-
com o consequente risco de infeção para esta e outras dade, nados mortos, fetos mumificados ou macera-
espécies animais suscetíveis. No nosso país, as sero- dos e aumento na mortalidade neonatal. Por vezes,
variedades presentes na suinicultura intensiva são a podem apresentar febre, diminuição na produção de
Bratislava e a Muenchen (serovar Australis), enquan- leite e icterícia. Em algumas explorações a febre tran-
to que na suinicultura extensiva as serovariedades sitória terá sido o único sintoma da infeção.
circulantes são a Mozdok e Altodouro, pertencentes Em leitões podem verificar -se, ainda que com pou-
ao serogrupo Pomona. Surgem de um modo aciden- ca frequência, um quadro agudo grave que cursa com
tal as serovariedades dos serogrupos Icterohaemor- febre, astenia, anorexia, diarreia, icterícia com ou
rhaiae, Canicola e Grippotyphosa, cujos reservatórios sem hemoglobinúria. Por vezes há meningite com
podem ser roedores silvestres, cães e carnívoros sil- sintomatologia nervosa, podendo ser fatal.
vestres (García Peña e cols, 2014). O conhecimento Os serovares Pomona e Tarassovi foram implica-
dos serotipos prevalentes e dos hospedeiros que dos como causa de abortos, natimortos e nascimento
permitem a sua manutenção é essencial para enten- de leitões fragilizados (Prichard e cols., 1985). A
der a epidemiologia da doença em qualquer região. serovariedade Bratislava foi associada a parâmetros
de subfertilidade (Van Til e Dohoo, 1991; Hathaway
Epidemiologia e Little, 1981; Mousing e col., 1995) e redução no
número de leitões por ninhada (Frantz e col., 1989),
O modo mais frequente de transmissão no caso dos Hathaway (1987) estabeleceu a ligação dos serovares
serovares adaptados é a transmissão horizontal dire- Hardjo e Canicola como agentes causadores de alte-
ta, enquanto que a transmissão horizontal indireta rações reprodutivas nos suínos. O serogrupo Icte‑
tem um papel mais importante nas infeções aciden- rohaemorrhagiae provoca quadros agudos em leitões
tais e verifica -se após a exposição do animal a um (geralmente com recuperação espontânea), e
ambiente contaminado com material infetante (Ellis, suspeita -se de problemas reprodutivos em suínos
1994). A transmissão da infeção entre hospedeiros adultos (Ferreira Neto e cols, 1997; Nathaway,
de manutenção realiza -se independentemente das 1985). Por seu lado, Boqvist e cols (2002) observa-
condições climáticas e ambientais. Contudo, no caso ram a associação entre a seropositividade para a se-
da transmissão de um hospedeiro de manutenção rovariedade Tarassovi e o número de leitões nascidos
para um hospedeiro acidental ou entre hospedeiros mortos por ninhada, e entre a seropositividade para
acidentais, será necessário que as condições ambien- a serovariedade Grippotyphosa e o aumento do in-
tais sejam as adequadas para a sobrevivência das tervalo entre o nascimento e a cobrição.
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