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Atualidade profissional

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                                                                       Prescott, 1993; Ellis, 1994). Os animais infetados
                                                                       eliminam leptospiras principalmente através da uri-
                                                                       na. A colonização dos rins verifica -se na maioria dos
                                                                       animais infetados e persiste nas células do epitélio
                                                                       tubular, inclusive na presença de anticorpos neutra-
                                                                       lizantes, o que determina que, se o animal sobrevive,
                                                                       passe a um estado de portador, eliminando leptospi-
                                                                       rose de forma intermitente durante meses.
                                                                         O grau de infeção dos animais numa exploração
                                                                       está relacionado com as condições climáticas, bem
                                                                       como com o sistema de produção, o maneio e as
                                                                       instalações, assim como com a virulência da serova-
                                                                       riedade e a suscetibilidade do hospedeiro. Os meca-
                                                                       nismos pelos quais se produz o dano nos tecidos
                                                                       ainda não estão muito bem estabelecidos, ainda que
                                                                       a resposta imunitária do hospedeiro esteja claramen-
        No gado suíno, a leptospirose é caracterizada pelos seus efeitos sobre a reprodução. Fêmea de   te implicada na sua patogénese com a formação de
        suíno após um aborto por leptospirose.                         imunocomplexos, a libertação de citoquinas e a vas-
                                                                       culite autoimune (Noel e Latimer, 2008).

                                tes espécies animais desse ecossistema que possam   Sintomatologia
                                ser infetadas.
                                 O suíno é um dos principais reservatórios de al-  A leptospirose em explorações de suínos pode ser
                                guns serovares de leptospiras (serogrupo Pomona,   subclínica, i.e., animais aparentemente sãos mas in-
                                Tarassovi e Austrlis), contribuindo esta espécie ani-  fetados, salvo quando se manifesta pela primeira vez.
                                mal para a difusão da espiroqueta no meio ambiente,   Os sinais mais comuns são abortos a termo, infertili-
                                com o consequente risco de infeção para esta e outras   dade, nados mortos, fetos mumificados ou macera-
                                espécies animais suscetíveis. No nosso país, as sero-  dos e aumento na mortalidade neonatal. Por vezes,
                                variedades presentes na suinicultura intensiva são a   podem apresentar febre, diminuição na produção de
                                Bratislava e a Muenchen (serovar Australis), enquan-  leite e icterícia. Em algumas explorações a febre tran-
                                to que na suinicultura extensiva as serovariedades   sitória terá sido o único sintoma da infeção.
                                circulantes são a Mozdok e Altodouro, pertencentes   Em leitões podem verificar -se, ainda que com pou-
                                ao serogrupo Pomona. Surgem de um modo aciden-  ca frequência, um quadro agudo grave que cursa com
                                tal as serovariedades dos serogrupos Icterohaemor-  febre, astenia, anorexia, diarreia, icterícia com ou
                                rhaiae, Canicola e Grippotyphosa, cujos reservatórios   sem hemoglobinúria. Por vezes há meningite com
                                podem ser roedores silvestres, cães e carnívoros sil-  sintomatologia nervosa, podendo ser fatal.
                                vestres (García Peña e cols, 2014). O conhecimento   Os serovares Pomona e Tarassovi foram implica-
                                dos serotipos prevalentes e dos hospedeiros que   dos como causa de abortos, natimortos e nascimento
                                permitem a sua manutenção é essencial para enten-  de leitões fragilizados (Prichard e cols., 1985). A
                                der a epidemiologia da doença em qualquer região.  serovariedade Bratislava foi associada a parâmetros
                                                                       de subfertilidade (Van Til e Dohoo, 1991; Hathaway
                                Epidemiologia                          e Little, 1981; Mousing e col., 1995) e redução no
                                                                       número de leitões por ninhada (Frantz e col., 1989),
                                O modo mais frequente de transmissão no caso dos   Hathaway (1987) estabeleceu a ligação dos serovares
                                serovares adaptados é a transmissão horizontal dire-  Hardjo e Canicola como agentes causadores de alte-
                                ta, enquanto que a transmissão horizontal indireta   rações reprodutivas nos suínos. O serogrupo Icte‑
                                tem um papel mais importante nas infeções aciden-  rohaemorrhagiae provoca quadros agudos em leitões
                                tais e verifica -se após a exposição do animal a um   (geralmente com recuperação espontânea), e
                                ambiente contaminado com material infetante (Ellis,   suspeita -se de problemas reprodutivos em suínos
                                1994). A transmissão da infeção entre hospedeiros   adultos (Ferreira Neto e cols, 1997; Nathaway,
                                de manutenção realiza -se independentemente das   1985). Por seu lado, Boqvist e cols (2002) observa-
                                condições climáticas e ambientais. Contudo, no caso   ram a associação entre a seropositividade para a se-
                                da transmissão de um hospedeiro de manutenção   rovariedade Tarassovi e o número de leitões nascidos
                                para um hospedeiro acidental ou entre hospedeiros   mortos por ninhada, e entre a seropositividade para
                                acidentais, será necessário que as condições ambien-  a serovariedade Grippotyphosa e o aumento do in-
                                tais sejam as adequadas para a sobrevivência das   tervalo entre o nascimento e a cobrição.

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