Page 135 - 50_Curso_Pneumologia
P. 135







CASO CLÍNICO II
João Neiva Machado; José Coutinho Costa; Teresa Costa

Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra – Hospital Geral



IDENTIFICAÇÃO
L.C.S., sexo masculino, 60 anos, caucasiano, casado. Operador de estação de tratamento

de água emaviário (Angola).



MOTIVO DE INTERNAMENTO

Dispneia, tosse com agravamento súbito.



HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL
Recorreu ao Serviço de Urgência (SU) do Hospital Geral do Centro Hospitalar e

Universitário de Coimbra a 21.10.2016 por agravamento de queixas dedispneia mais
pronunciado no próprio dia da vinda. Relata quadro com início cerca de 4 meses antes

de dispneia progressiva para esforços continuamente mais pequenos culminando na

vinda ao SU quando pequenas deambulações já despertavam limitações significativas
(mMRC 3). Descreve ainda, paralelamente, uma tosse seca, sem variação circadiana

nem fator desencadeante claro e também esta com agravamento recente, associada a

anorexia e astenia. Negou queixas de febre, toracalgia, rinorreia ou sudorese noturna.
Para além do quadro referido há a salientar episódio de urgência 3 dias antes desta

vinda, por queixas semelhantes mas onde foi objetivada febre, tendo tido alta com
antibioterapia empírica com levofloxacina na dose de 750mg diários associada a

associação debudesonido e formoterol 320/9 2id. Há a destacar que nessa visita ao SU
realizou TAC tórax, presumivelmente por alterações radiológicas na telerradiografia

torácica, cujas imagens não foi possível aceder mas com relatório descrevendo:

“Densificação em vidro despolido bilateral difusa poupando escassas áreas de pequenas
dimensões de significado inespecífico. Os diagnósticos diferenciais incluem: processo

infecioso provavelmente vírico, patologia do interstício, doença alveolar aguda ou
outras causa como toxicidade medicamentosa. Densificações subpleurais mal definidas

na vertente posterior das bases pulmonares. Dois micronódulos no LSD com 5 mm e um
no LID com 9 mm, inespecíficos. Sem derrame pleural. Aumento do calibre da artéria

pulmonar 39 mm sugerindo hipertensão pulmonar. Adenomegalias hilares bilaterais e

paratraqueais até 12 mm de eixo curto. Nos andares do abdómen superior abrangido,
   130   131   132   133   134   135   136   137   138   139   140