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152 rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2019;60(3):150-153
Figura 1. Aparência clínica inicial – intraoral. Lesões Figura 4. Inflamação granulomatosa e presença de fungo
eritematosas com aparência moriforme e hemorragia Paracoccidiodes (seta) e neutrófilos (estrela).
espontânea no rebordo alveolar superior.
Figura 5. Aspeto clínico após 2 meses de tratamento
medicamentoso, evidenciando regressão de lesões
moriformes, em que a mucosa do palato mole e mole
Figura 2. Radiografia de tórax: Observa-se a presença de estava normocorada e sem sangramento.
imagens radiopacas com aspetos de flocos de algodão.
A análise histopatológica de Grocott -Gomori foi positiva, in-
dicando a presença de fungos, com Paracoccidiodomicosis bra-
siliensis. Secções microscópicas revelaram fragmento de muco-
sa revestida com epitélio estratificado hiperparaqueratinizado
evidenciando hiperplasia pseudoepiteliomatosa e granulomas
pouco evidentes, células gigantes multinucleadas de Langhans
e linfócitos (Figura 3), intensa exocitose neutrofílica no epitélio
hiperplásico, além da presença do fungo Paracoccidiodes brasi-
liensis (Figura 4). A sorologia para blastomicose mostrou -se não
reativa, comprovando o diagnóstico em Paracoccidioidomicose.
O tratamento clínico com Sulfametoxazol 400 mg e trime-
toprim 80 mg por via oral, sendo 3 comprimidos a cada 12
horas durante 4 meses de forma contínua, e a regressão dos
sintomas foi observada nos primeiros 2 meses, tanto na clíni-
ca oral (Figura 5) como na radiografia pulmonar. O tratamento
sistémico foi realizado e prescrito pelo médico infecciologista,
Figura 3. Intensa exocitose neutrofílica e eosinofílica, o profissional capacitado para realizar tal tratamento. No en-
formação de granulomas (seta), células gigantes tanto, o cirurgião bucomaxilofacial diagnosticou e acompa-
multinucleadas de Langhans. nhou as etapas do tratamento sistémico.

