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rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2018;59(4):225-230 227
caraterísticas clínicas, radiográficas e histológicas, contri-
buindo com a literatura científica a fim de ampliar o conhe-
cimento dos cirurgiões Oro -Maxilofaciais a respeito desta
patologia.
Caso clínico
Admite -se na enfermaria de Cirurgia Maxilofacial do Hospi-
tal Central de Maputo, transferido do Hospital Provincial de
Inhambane via Serviço de Urgência, um paciente de 51 anos,
sexo masculino, melanodérmico, com história de início de
sintomatologia há cerca de 6 meses com surgimento de uma
massa +/ - 12x12 cm na região dos pré -molares da hemi-
mandíbula direita, de crescimento progressivo associado a Figura 2. Radiografia perfil esquerdo da mandíbula,
hemorragia, odontalgia e dificuldades na alimentação. Em mostrando dentes ântero -inferiores sem suporte ósseo
relação a história médica pregressa referiu prolapso retal há e deslocados pela reabsorção das cristas alveolares.
4 meses atrás, tratado e atualmente melhorado. Nega Tuber- Osso basilar da mandíbula não afetado.
culose e Diabetes Mellitus. Apresentava -se à entrada con-
sciente, hidratado, com mucosas pálidas, com baixo peso
para altura. Os sinais vitais: tensão arterial – 120/90 mmHg;
frequência cardíaca – 80 bp/mim; frequência respiratória – 18
cp/min; temperatura – 36,1ºC, auscultação pulmonar e
cardíaca sem alterações. Ao exame físico: apresentava assi-
metria facial à custa de ligeira tumoração no andar inferior
direito da face, intra e extra -oral observava -se uma massa
duro elástica, séssil, multilobulada, sangrante, com mais de
10 cm de diâmetro estendendo -se para o pavimento bucal,
com projeção extra -oral (Figura 1). A lesão envolvia a mucosa
gengival na região sinfisária e do ramo horizontal da man-
díbula provocando deslocamento e mobilidade dos dentes da
região ântero -inferior (Figuras 1 e 2). Doente sem adenopa-
tias palpáveis nas cadeias cervicais. Tórax, abdómen e ex-
tremidades sem alterações.
Analiticamente apresentava alteração na biometria he-
mática (hemoglobina – 4,6 g/dl; plaquetas – 417), sem outras Figura 3. Radiografia na projeção postero -anterior da
alterações de relevo. O exame de bioquímica e a radiografia mandíbula, evidenciando o deslocamento dentário e a
do tórax, projeção póstero -anterior (PA) sem alterações, HIV grande destruição dos alvéolos dentários.
negativo. As radiografias da mandíbula nas projeções PA
(Figura 3) e perfil esquerdo (Figura 2) apresentavam grande
destruição das cristas alveolares ântero -inferiores incluindo
reabsorção radicular e deslocamento dos dentes ântero-
-inferiores. Contudo, o osso basilar da mandíbula encontrava-
-se intacto sem sinais radiográficos de lesão.
O doente foi internado com hipótese diagnóstica de carci-
noma da língua e anemia grave por défice de ferro. Foi feita a
reposição/transfusão de 3 UI de concentrado de glóbulos ver-
melhos e procedeu -se a uma biopsia incisional cujo resultado
histopatológico foi compatível com GPCG. Estabeleceu -se en-
tão o diagnóstico definitivo (Figura 4).
Preparou -se o doente para a intervenção cirúrgica. A con-
sulta pré -anestésica não apresentou contra -indicações para
anestesia geral tendo sido programada uma entubação naso-
-traqueal com auxílio de fibroscópio. A intervenção cirúrgica
consistiu em excisão “in totu” da massa com margem de se-
Figura 1. Doente com a lesão inicial à entrada no gurança e osteotomia do osso mandibular afetado com auxílio
Hospital Central de Maputo. Inspeção exploratória da de uma broca esférica e exodontia dos dentes envolvidos na
cavidade oral.
lesão (Figuras 5 a 8).

