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rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2018;59(4):215-220 217
informação será necessário efetuar campanhas educacionais Resultados
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sobre medidas de prevenção das lesões. Cabe também aos
profissionais de saúde oral, promover o uso de moldeiras de A Escola de Boxe de Lisboa conta com a presença de 60
proteção, explicar a diferença entre os tipos de moldeiras co- desportistas, dos quais 15 são menores de idade. Dos 45 in-
mercializados e alertar para as consequências da sua não divíduos com mais de 17 anos, que aceitaram participar no
utilização. 10 estudo, 9 foram excluídos, por ausência na escola nos dias em
O presente artigo tem como propósito contribuir para um que decorreu a recolha de dados.
melhor conhecimento da saúde oral dos praticantes de boxe, A amostra de conveniência, obtida para este estudo foi de
tendo os seguintes objetivos: 1) caracterizar o estado de saúde 36 indivíduos, o que representa 80% da população-alvo, com-
oral de praticantes de boxe (cárie dentária, nível de higiene posta por 2 indivíduos do sexo feminino e 34 do sexo mascu-
oral e saúde gengival); 2) conhecer frequência de utilização de lino. As idades dos participantes (Tabela 1), variaram entre os
protetores bucais e os efeitos na saúde oral dos praticantes 18 e os 65 anos (média: 31 anos; desvio padrão: 12 anos), exis-
desta modalidade desportiva e 3) comparar o uso de protetores tindo uma maior afluência do grupo etário entre os 18 e os 30
bucais e de efeitos na saúde oral nos praticantes de boxe de anos (moda: 26 anos).
manutenção e de boxe de competição. De acordo com o questionário, 23 indivíduos (63,89%) prati-
cavam de boxe de manutenção e 13 faziam boxe de competição.
A maioria dos indivíduos do primeiro grupo praticavam esta
Material e métodos modalidade há menos de 5 anos (82,61%), 2 a 3 vezes por sema-
na. No segundo grupo, 61,54% dos indivíduos praticavam há
A avaliação da saúde oral e das alterações na cavidade oral, dos mais de 5 anos, pelo menos 4 a 5 vezes por semana (Tabela 2).
praticantes de boxe, foi feita através de um estudo observacio- No que respeita às moldeiras de proteção, a maioria
nal e transversal, com uma componente do tipo analítico. (88,89%) indicou utilizar. Apenas 4 indivíduos, praticantes de
A população-alvo foi constituída por uma amostra de pra- boxe de manutenção, referiram não utilizar moldeiras de pro-
ticantes de boxe amador na Escola de Boxe de Lisboa, consti- teção. Quanto ao tipo de moldeira, verificou-se que as Boil and
tuindo-se como uma amostra de conveniência. Para esta
amostra aplicou-se os seguintes critérios de inclusão: ser pra-
ticante de boxe nesta escola, ter idade superior a 17 anos e Tabela 1. Caracterização da amostra por género e faixa
assinar o consentimento informado e esclarecido. Os indiví- etária
duos que, apesar de terem aceitado participar no estudo, não Amostra n (%)
o completaram, pelo não preenchimento do questionário ou
não participação na observação oral, não foram contabilizados. Feminino 2 (5,56)
Após receção da autorização da escola e obtido o consen- Género Masculino 34 (94,44)
timento informado dos participantes, procedeu-se à recolha
de dados, realizada através de um questionário e uma obser- 18 - 30 24 (66,67)
vação oral, respetivamente, preenchidos e efetuados no giná- 31 - 40 4 (11,11)
sio onde os indivíduos praticam a modalidade. O questionário
foi elaborado pelos autores deste trabalho e incidiu em três Faixa etária (anos) 41 - 50 5 (13,89)
categorias: dados pessoais (sexo e idade), boxe (prática profis- 51 - 60 0
sional ou amadora, número de anos de prática, uso de prote-
tores bucais, perceção de presença de lesões orais devidas à 61 - 70 3 (8,33)
prática da modalidade) e higiene oral (hábitos de escovagem
e de meios de remoção de placa bacteriana interproximal e
frequência de visita ao dentista). A observação da cavidade oral Tabela 2. Frequência e tempo de prática de boxe
foi efetuada pelo primeiro autor, treinado e calibrado durante
as atividades letivas do curso de licenciatura em Higiene Oral Prática de Boxe Manutenção Competição
n (%)
n (%)
da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa,
em sala com luz artificial disponibilizada pela Escola de Boxe Número de participantes 23 (63,68) 13 (36,11)
de Lisboa, utilizando um espelho bucal e sonda periodontal e < 1 ano 8 (34,78) 0
exploradora cedidos pela Faculdade de Medicina Dentária da
Universidade de Lisboa e foram utilizados os índices CPO-D Tempo 1 a 5 anos 11 (47,82) 5 (38,46)
11
(dentes cariados, perdidos e obturados), Índice Gengival 12,13 de prática 6 a 10 anos 2 (8,70) 3 (23,08)
e de Índice de Higiene Oral simplificado, 14,15 juntamente com
a avaliação da articulação temporomandibular, pela realização >10 anos 2 (8,70) 5 (38,46)
do Exame da Cabeça e do Pescoço. 1x semana 1 (4,34) 0
A análise estatística foi realizada através do programa SPS-
S-V25. A descrição dos dados foi efetuada pelo cálculo de fre- Frequência 2-3x semana 16 (69,57) 1 (7,70)
quências absolutas e relativas, média, moda e desvio-padrão. 4-5x semana 6 (26,09) 6 (46,15)
Para a comparação de variáveis nominais foi utilizado o teste
de V de Cramer, com um nível de significância de 5%. Todos os dias 0 6 (46,15)

