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rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2018;59(2):125-130         129


              Após sete dias (Figura 10), a paciente retornou para avalia-  As duas cirurgias aconteceram ao mesmo tempo para que a
           ção pós-operatória, relatando não ter sofrido episódios de dor,   avaliação do tempo operatório pudesse ser realizada mais fiel-
           edema ou inflamação após cirurgia, não tendo feito, portanto,   mente e com o auxílio de um cronômetro digital foi possível men-
           uso de medicação analgésica ou anti-inflamatória.   surar o tempo gasto. E na cirurgia a LASER o tempo operatório foi
              Foi utilizado um cronômetro digital (DS Diagnóstica, Brasil)   de 11 minutos e 15 segundos a menos que a cirurgia convencional.
           para que fosse possível avaliar o tempo gasto durante as duas   Houve diferença de tempos cirúrgicos entre as duas cirurgias rea-
           cirurgias.                                          lizadas, podendo esta diferença estar relacionada ao operador, às
                                                               características do freio ou a técnica utilizada.
                                                                 Cirurgias a LASER são, em geral, mais rápidas, devido ao
           Discussão e conclusões                              poder de corte bastante preciso 10,12  e menor sangramento lo-
                                                               cal, 3,9,10  permitindo melhor visualização e, consequentemente,
           LASER de alta potência tem sido introduzido em cirurgias de   maior agilidade no procedimento, além de utilização de menor
           tecido mole, como frenectomia labial, por proporcionar me-  quantidade de instrumental.
           lhores condições trans e pós-operatórias, sendo recurso pro-  Alguns autores afirmam que incisões promovidas nos te-
           missor nesta área. 3,7,8-10  O utilizado no caso relatado foi LA-  cidos moles com LASER apresentam pós-operatório sem dor e
           SER de diodo de alta potência, que apresenta grande afinidade   inflamação, ou, quando presente, em menor grau de intensi-
           por tecidos pigmentados e hemoglobina, sendo indicado para   dade. 1,3,10  Isso pode ser explicado pelo fato do LASER causar
           tecidos moles, por promover corte e coagulação. 3,4,10    menos danos aos tecidos adjacentes, pela homeostasia de
              O LASER de díodo utilizado no caso é de fácil transporte,   vasos linfáticos e formação de coágulo de fibrina sobre a feri-
                                                                                                         1
           por se tratar de modelo portátil, e seu meio de entrega se dá   da cirúrgica, a qual fica protegida da irritação externa.
           por fibra óptica, o que contribui para seu menor custo de ma-  Por esse motivo, a medicação pré-cirúrgica não se faz neces-
           nutenção quando comparado com aparelhos semelhantes que   sária, uma vez que o LASER já proporciona esses efeitos analgé-
           utilizam pontas de safira, como é o caso do LASER Er,Cr:YSGG,   sicos e modulando o processo inflamatório. A paciente subme-
           por exemplo.                                        tida à cirurgia a LASER relatou ausência de dor durante e após
              Alguns autores relatam realização de frenectomia somen-  procedimento, sem que fosse necessário usar qualquer medica-
           te com utilização de anestésico tópico, 6,12  no entanto, estudos   mento para controle de dor. Por outro lado, o paciente submeti-
           mais recentes apontam para necessidade de anestesia local,   do à cirurgia pela técnica convencional relatou dor na região
           mas em menor quantidade. 1,9,10  Na frenectomia a LASER, uti-  durante os quatro primeiros dias, além da necessidade de uso
           lizou-se apenas meio tubo de anestésico (cerca de 0,9ml), o   de medicação analgésica pós-cirúrgica durante um dia. Nenhum
           qual se mostrou eficaz para controle da sensibilidade trans-  dos pacientes relatou edema, inflamação ou infeção, porém o
           -operatória enquanto que, na cirurgia convencional, foi neces-  paciente da técnica convencional apresentou a região um pouco
           sário um anestubo inteiro.                          edemaciada e hiperemiada em torno da ferida cirúrgica.
              O sangramento durante a frenectomia a LASER foi ausen-  Alguns trabalhos sugerem que o LASER gera feridas cirúr-
           te, acordando com o encontrado por outros autores (5,9)   na lite-  gicas de menor extensão e que cicatrizam mais rapidamente,
           ratura que utilizaram LASER de alta potência para a realização   quando comparadas àquelas oriundas de cirurgia convencio-
           deste tipo de cirurgia. Este achado não foi surpreendente, uma   nal. 3,6,7,10  Vale salientar que, a partir do conhecimento de que
           vez que os LASERs de alta potência têm capacidade de hemos-  LASER de alta potência apresenta efeitos térmicos, podendo
           tasia dos vasos superficiais, 1,3,9,10  proporcionando campo ci-  realmente carbonizar tecidos, existe a necessidade de que se
           rúrgico limpo e de fácil visualização, sendo menos traumático   conheça seu mecanismo de ação, seus parâmetros e a técnica
           para os pacientes odontopediátricos e pacientes adultos.. 3,4,11    correta de irradiação, pois dessa forma não é provocado necro-
                                                                                       5
           Já na frenectomia pela técnica convencional, o sangramento   se e/ou carbonização no tecido.
           foi evidente.                                         Assim, com este trabalho foi possível  concluir que o LASER
              A literatura relata que, na grande maioria das frenectomias   de díodo de alta potência foi eficaz na cirurgia de frenectomia
           realizadas com LASER de alta potência, não há necessidade de   labial, demonstrando ausência de sangramento nos momen-
           sutura, devido à hemostasia conseguida pelo LASER, 2,3,9,10  que   tos trans e pós-cirúrgicos, ausência de necessidade de sutura
           permite deixar ferida aberta. Nesses casos, cicatrização ocorre   e nem de medicação pré ou pós-cirúrgica. Além disso, no caso
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           por segunda intenção.  Por outro lado, são raros relatos de fre-  clínico em que frenectomia foi realizada com uso de LASER,
           nectomia convencional sem uso de sutura, a qual se faz ne-  houve ausência de dor e tempo cirúrgico menor, sendo uma
           cessária para conter coágulo e possibilitar cicatrização por   técnica alternativa com indicadores positivos para a sua utili-
           primeira intenção.                                  zação. Trabalhos clínicos randomizados precisam ser executa-
              Na cirurgia a LASER relatada neste trabalho não houve ne-  dos para que ocorra esta validação clínica encontrada neste
           cessidade de sutura enquanto que, na convencional, foi neces-  trabalho.
           sária sutura, em concordância com achados na literatura de
           vários autores que realizaram frenectomia com a técnica con-
                                      2,8
           vencional necessitando de sutura,  pois o objetivo da sutura   Responsabilidades éticas
           é segurar o coágulo para que o processo de cicatrização se
           inicie e aconteça por primeira intenção. Como a técnica que   Proteção de pessoas e animais. Os autores declaram que para
           se utiliza o LASER não ocorre sangramento, a cicatrização se   esta investigação não se realizaram experiências em seres
           dá por segunda intenção e sem necessidade de sutura.  humanos e/ou animais.
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