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62                      rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2018;59(1):61-64


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           Introdução
                                                              dições socio -económicas da paciente, a mesma, optou pela
           A Fibrina Rica em Plaquetas (PRF) pertencente à segunda ge-  exodontia.
           ração de concentrados plaquetários, foi relatado pela primei-  Procedeu -se a uma colheita de sangue na fossa antecu-
           ra vez em 2001, pelo médico francês Joseph Choukroun, tendo   bital, para confeção dos coágulos/ membranas de PRF. As
           atualmente várias aplicações no âmbito da Medicina e Medi-  seis membranas foram obtidas através do protocolo descri-
                                                                            1
           cina Dentária. 1 -4                                to por Choukroun  (utilizando força aproximada de 400g na
                                                                                                   ®
             As células sanguíneas e as plaquetas produzem grandes   centrifugadora de rotor vertical (Montserrat , São Paulo,
           quantidades de fatores de crescimento importantes no reparo   Brasil) durante 12 minutos. Seguindo -se a anestesia local,
                 4,5
           tecidual.  A introdução de subprodutos provenientes do san-  com dois anestubos de lidocaína a 2% com 1:100.000 de epi-
                                                                        ®
           gue periférico, visando acelerar a neoformação tecidular e a   nefrina (DFL , Brasil) para a exodontia das peças dentárias
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           proteção dos constituintes da membrana sinusal,  são uma   envolvidas.
           realidade, principalmente em procedimentos nas áreas da Ci-  Após a sua remoção, foi possível observar a membrana
           rurgia Buco -Maxilo -Facial e Implantologia, já que a sua pre-  sinusal (Figura 2), tendo -se optado pela drenagem da secreção
           sença, destacando como exemplos: o Fator de Crescimento   purulenta através dos alvéolos dentários (Figura 3), originan-
           Derivado de Plaquetas (PDGF), o Fator de Crescimento Vascular   do comunicação com a cavidade sinusal. Após drenagem e
           Endotelial (VEGF) e o Fator de Crescimento de Fibroblastos   lavagem copiosa do seio maxilar esquerdo, foram implantados
           (FGF), auxiliam na aceleração da neovascularização e na dife-  dois coágulos de PRF em cada alvéolo, para preenchimento do
           renciação celular. 2 -4                            seio maxilar. Seguindo -se a colocação de uma membrana de
             Através do efeito acelerador na cicatrização de feridas, por   PRF em cada um dos alvéolos, tendo sido fixadas com fio 4 -0
                                                                            ®
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           promover a neovascularização e a formação de novos tecidos,    de Seda (Ethicon  – Johnson & Johnson, Brasil) (Figura 4).
           encontram -se indicados para o tratamento de defeitos ós-  Como terapêutica, foi apenas prescrito Paracetamol 500mg a
           seos,  recobrimento de lesões em mucosa oral,  comunicação   cada seis horas, durante três dias. A paciente foi acompanha-
              6,7
                                               7
                                 4,6
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           buco -sinusal,  enxerto ósseo,  possibilitando ainda, a optimi-
           zação da regeneração de defeitos periodontais. 7
             As diferentes citocinas produzidas por estes derivados
           atuam a nível da reparação tecidular. A presença leucocitária,
           nestes concentrados, influência não só a liberação de citocinas
           pró e anti -inflamatórias, como também de fatores de cresci-
           mento, verificando -se ainda que a degranulação, dos grânulos-
           -α plaquetários, tem uma participação ativa na liberação destes
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           produtos.  Os subprodutos resultantes tais como: as interleuci-
           nas IL -8, IL -15 e a quimiocina MIP1 -a, atuam na quimiotaxia de
           neutrófilos e células “Natural Killer”,  aumentando a proteção   Figura 1. Corte panorâmico obtido por tomografia cone
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           contra microorganismos ao nível do tecido intervencionado.  beam, demonstrando a região do seio maxilar esquerdo
             Esta questão da ação antimicrobiana, ainda se encontra   completamente hiperdensa. Indicando a presença de
                                                               infeção.
           em estudo. Porém, estudos recentes descrevem a ação antimi-
           crobiana, do concentrado plaquetário, pela indução do Peptí-
                                   9
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           deo Humano Beta -Defensina 2  e Beta -Defensina 3.  Sendo,
           no entanto necessários mais estudos sobre esta ação e sobre
           estas proteínas. Contudo, trabalhos recentes revelam resulta-
           dos bastante promissores. 9 -11
             Este trabalho tem como objetivo relatar um caso clínico de
           tratamento de sinusite crónica, induzida por uma infeção
           odontogénica associada aos molares.


           Caso clínico

           Paciente do sexo feminino, 54 anos, saudável, compareceu na
           clínica de Cirurgia Buco -Maxilo -Facial das Faculdades São
           José, com queixa clínica de sinusite crónica com duração de
           três anos. Na avaliação clínica (intraoral) os tecidos observa-
           dos  apresentavam aspeto  saudável.  Ao  exame  tomográfico,
           visualizou -se uma área hiperdensa na região do seio -maxilar
           esquerdo (Figura 1), em estreita relação com os ápices radicu-  Figura 2. Imagem obtida após a exodontia dos molares,
           lares do primeiro e terceiro molar.                 sendo possível observar mais nitidamente a membrana
             Salientamos que o tratamento para infeção odontogénica   sinusal pela região aonde seria a raiz palatina do
           é a remoção da causa, podendo ser realizado o tratamento   primeiro molar.
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