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XLI REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS






              SESSÃO DE COMUNICAÇÕES ORAIS I                CO 02 – Ondansetron: Suspeito ou culpado de
                                                            hiperssensibilidade?
                       ALERGIA A FÁRMACOS                   A M Mesquita , E Dias de Castro , A Caires , J Miranda , T A Rama ,
                                                                                                        1,2
                                                                                                1
                                                                     1
                                                                                  1
                                                                                         1
                                                            J R Cernadas 1,3
          Dia: 24 de Setembro                               1   Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar e Universitário
          Horas: 12h30 – 14h00                               de S.João, Porto, PORTUGAL
                                                             I
          Sala: 1                                           2   munologia Básica e Clínica, Departamento de Patologia, Faculdade
                                                             de Medicina, Universidade do Porto, Porto, PORTUGAL
          Moderadores: Ana Luisa Geraldes, Eva Gomes, Emília Faria  3   Serviço de Imunalergologia, Hospital Lusíadas, Porto, PORTUGAL
          CO 01 – Qual a abordagem da alergia medicamentosa   Objectivo: O Ondansetron é um antagonista seletivo do recep-
          pelos cuidados primários de saúde em portugal?    tor de serotonina (5 -HT3R) usado como agente antiemético. As
          – Um questionário                                 reações de hipersensibilidade (HS) a este fármaco raramente têm
                                        3
                                               3
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          A M Magalhães , L Silva , B Kong -Cardoso , S Farinha , T A Antu-  sido reportadas.
          nes , C Mourato , E Tomaz 3                       Contudo, os casos suspeitos de HS ao ondansetron têm aumen-
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          1  USF Santiago de Palmela, Setúbal, PORTUGAL     tado, provavelmente devido ao uso crescente do fármaco. Mas até
          2  USF Luísa Todi, Setúbal, PORTUGAL              ao momento, não existem concentrações validadas para os testes
          3   Serviço de Imunoalergologia, Hospital de São Bernardo, Setúbal,   intradérmicos (TID).
           PORTUGAL                                         Metodologia: Foram revistos dados clínicos dos doentes avalia-
                                                            dos no nosso serviço por suspeita de HS ao ondansetron entre
          Objectivo: As Reações Adversas a Fármacos (RAF) estão as-  2013 a 2019, com o objectivo de caracterizar os casos e de validar
          sociadas a uma morbilidade e mortalidade significativa e a cus-  as concentrações não irritativas dos TID.
          tos desnecessários. A ausência de áreas de alergologia e imu-  Resultados e conclusões: Foram incluídos 16 doentes, 11(69%)
          nologia clínica  nos  programas de educação  e  treinamento   do sexo feminino, com média de 40 anos. Há excepção de um
          médico contribui em grande parte para as dificuldades no ma-  doente, as reacções ocorreram no contexto peri -operatório. As
          nejo das RAF. Sendo a primeira linha de prestadores de cuida-  manifestações clínicas apresentadas foram em 13 (81%) exantema
          dos de saúde, os médicos de família, a sua prática tem um gran-  maculopapular, 2 (13%) anafilaxia e 1 (6%) com broncospasmo.
          de impacto na gestão geral das RAF. O nosso objetivo foi   Todos foram submetidos a TID com ondansetron, com concen-
          conhecer a percepção dos médicos de família sobre a alergia   trações entre 0.2 a 0.002 mg/ml.
          medicamentosa e identificar as dificuldades e necessidades de   Vinte e um controlos, voluntários saudáveis, foram usados para
          formação nesta área.                              determinar as concentrações não irritativas nos TID. Todos os
          Metodologia: O estudo foi baseado num questionário com 24   controlos tiveram testes positivos para a concentração de 0.2 mg/
          perguntas dirigidas a todos os especialistas e internos de Medi-  ml. Catorze controlos tiveram TID negativos com 0.02 mg/ml e 7
          cina Geral e Familiar de Portugal continental. O questionário foi   foram positivos. Estes 7 controlos realizaram TID com a concen-
          enviado por correio eletrónico e esteve disponível durante um   tração de 0.002 mg/ml e foram todos negativos.
          ano.                                              Cinco doentes tiveram testes com ondansetron negativos em to-
          Resultados e conclusões: Foram completados 372 questio-  das as concentrações e testes postivos para outro fármaco e por
          nários. As respostas refletiram a importância atribuída pelos   isso não realizaram prova de provocação oral (PPO).
          médicos à alergia medicamentosa, que identificam como uma   Para confirmar se as concentrações 0.2 e 0.02 mg/ml são irritativas,
          situação de frequência crescente e com impacto na sua prática   os doentes com TID positivos realizaram PPO. Foram realizadas
          clínica. Os antibióticos e os antinflamatórios não esteróides   8 PPOs com ondansetron, todas negativas, 2 doentes recusaram
          foram reconhecidos como os principais fármacos responsáveis   realizar a PPO e 1 doente aguarda a sua realização.
          e o envolvimento cutâneo como a manifestação mais comum.   Estes resultados sugerem que a concentração de 0.002 mg/ml não
          A colaboração dos Centros de Imunoalergologia foi considera-  é irritativa e pode ser usada na realização dos TID.
          da insatisfatória por muitos médicos e a maioria das reações   Até ao momento, são raros os casos de hipersensibilidade ao
          suspeitas não são estudadas ou confirmadas. Alguns médicos   ondansetron confirmados. Contudo, com o aumento da utilização
          consideraram que não existe ensino suficiente em alergia me-  deste fármaco, sobretudo na sua administração peri -operatória,
          dicamentosa e quase todos foram receptivos à formação adi-  é necessário estabelecer critérios para o diagnóstico destes
          cional nesta área.                                doentes.
          Como conclusão a alergia medicamentosa é um problema de saú-  Mais estudos, com maior número de doentes, de serviços diferen-
          de pública com importância crescente. É desejável uma maior   tes são necessários para confirmar estes resultados preliminares.
          formação dos médicos e uma melhor resposta dos Centros de
          Imunoalergologia.





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                                             REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA
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