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animais com sinais clínicos (tosse, dispneia, anorexia, figurA 2. evolução dA prevAlênciA dA tb bovinA entre 2002 e 2016.
etc.) nos países com o nosso contexto (2).
umA históriA de êxitos e de frAcAssos Espanha Baixa prevalência Prevalência elevada
O controlo da TB bovina tem tido ao longo do tempo 10
êxitos e fracassos. De seguida citam -se alguns exem-
plos disso.
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êxito dA estrAtégiA “teste e sAcrifício”
nos euA 6
Em 1900, uma em cada nove mortes de pessoas nos
EUA era causada por TB, e estima -se que por essa Rebanhos positivos (%)
altura, entre 15 -20% das mortes de pessoas por TB 4
no mundo dito mais desenvolvido eram devidas a TB
bovina (3). Em 1917, há um século, os EUA foram
o primeiro país a iniciar uma campanha de erradica- 2
ção baseada na estratégia de “teste e sacrifício”, que
implicou introduzir, pela primeira vez, o critério de 0
abate obrigatório de animais positivos. A prova que 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016
era feita era a intradermotuberculinização (IDTB), Anos
que basicamente consiste em inocular intradermica-
mente um derivado proteico de M. bovis, comum- Representa-se a média em Espanha, nas comunidades autonómicas de baixa prevalência
mente conhecido como tuberculina bovina e poste- (< 1%), ou prevalência zero em 2016 (Catalunha, Galiza, Navarra, País Basco, Aragão,
riormente determinar a resposta inflamatória Astúrias, Baleares e Canárias) e nas comunidades autonómicas com elevada prevalência
medindo o aumento da espessura da prega cutânea (> 1%) em 2016 (Andaluzia, Extremadura, Castilha-La Mancha, Rioja, Madrid, Catela e
no ponto de inoculação (figura 1). Ente 1917 e 1940 Leão, Valência e Múrcia). As barras representam o intervalo de confiança de 95%.
foram realizadas 232 milhões de IDTB e foram sacri-
ficados cerca de 3,8 milhões de bovinos (sobre um
censo total de cerca de 66,4 milhões de cabeças). A tuberculose bovinA nA penínsulA
Graças a isso, conjuntamente com a pasteurização ibéricA hoje em diA
do leite, estima -se que se salvaram mais de 25.000
vidas humanas em cada ano. Isto traduziu -se assim A prevalência de rebanhos positivos em Espanha
numa redução da prevalência de 5% em 1917 para situou -se em 2016 em 2,87%, o valor mais elevado
menos de 0,0002% em bovino de carne e menos de dos últimos 15 anos. De facto, desde 2012 assistiu -se
0,002% em bovino de leite hoje em dia (4). a um aumento continuado da prevalência, embora a
evolução tenha sido muito díspar nas diversas áreas
A crónicA de um frAcAsso nA grã geográficas. Quase todo o aumento destes últimos
bretAnhA anos pode ser explicado pela evolução em determi-
Se de facto os EUA tiveram uma história de sucesso, nadas comunidades autonómicas com elevada pre-
já na Grã -Bretanha houve um fracasso histórico. valência, enquanto noutras se manteve um nível re-
Depois da II Guerra Mundial, diversos países do duzido (figura 2; Mapama, 2017).
centro e norte da Europa puseram em marcha a es- (NT) Em Portugal, de acordo com dados da
tratégia americana. Na Grã -Bretanha, após um notó- DGAV, no ano de 2016 foram testadas 25.669 ex-
rio êxito na redução da incidência e prevalência da plorações, com 843.361 animais testados, correspon-
TB bovina, desde os anos cinquenta até mediados dos dendo a uma cobertura de 93%. Concluiu -se que
anos oitenta, o número de animais reativos à IDTB 0,29% das explorações eram positivas.
não parou de aumentar, estendendo -se também a
distribuição geográfica dos casos positivos. Em 1958 umA epidemiologiA complexA
foram sacrificados mais de 25.000 bovinos e em A epidemiologia da TB bovina é complexa, já que na
1986 unicamente 235, mas em 2016 superaram os transmissão da mesma podem estar implicados ou-
35.000 bovinos sacrificados (Defra, 2017). Apesar tros animais silvestres e domésticos, para além dos
de ser um tema de grande controvérsia e debate, bovinos. Em relação a outros animais domésticos,
parece bastante aceite que este aumento coincidiu observou -se que o gado caprino é muito suscetível à
com a alteração de política relativamente ao controlo infeção por M. bovis e M. caprae, desenvolvendo
da doença nos texugos, cuja proteção foi reforçada lesões disseminadas que implicam a eliminação da
através da legislação nos anos 80. micobactéria no leite e outras secreções (5). Também
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