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2 EDITORIAL
O vírus Influenza é uma partícula esférica que tem um essenciais ao vírus: a hemaglutinina, responsável pela
diâmetro interno de aproximadamente 110 nm e um núcleo entrada do vírus nas nossas células onde este se irá multi‑
central de 70 nm. A superfície é coberta por proteínas de plicar; e a neuraminidase, que permite a libertação dos
aproximadamente 10 nm de comprimento com funções novos vírus que irão à conquista de novas células.
Agora que tanto se fala do vírus
Influenza…
O vírus da gripe apresenta um genoma constituído mum”, afirmou a primeira autora do estudo, Stella
por segmentos de ácido ribonucleico (ARN), o qual Man.
codifica, entre uma grande variedade de proteínas Os investigadores modificaram o vírus para este
virais, as proteínas acima mencionadas. infetar e matar células cancerosas sem causar danos
colaterais no tecido saudável, e conseguiram criar
um método para o libertar na corrente sanguínea e
“O vírus da gripe é modificado para atacar células de tumores noutras outras partes do
corpo.
conter na sua camada exterior uma Se estes investigadores conseguirem confirmar
proteína suplementar que reconhece e estes resultados em testes clínicos com humanos, este
se liga a moléculas específicas presentes poderá ser um novo tratamento promissor para os
doentes de cancro do pâncreas, coadjuvado com a
no cancro do pâncreas.” quimioterapia existente para destruir as células can-
cerosas persistentes.
O cancro do pâncreas desenvolve-se rapidamente
A variabilidade das proteínas virais, Hemaglutini- e costuma ser diagnosticado demasiado tarde, sendo
na (H) e Neuraminidase (N), no vírus da gripe A, está resistente às terapias atuais, pelo que a sua taxa de
na base da sua classificação em diferentes subtipos mortalidade é alta.
(por exemplo, H5N1 ou H1N1). Atualmente conhe- Este processo foi testado em células humanas de
cem-se 16 tipos diferentes de hemaglutinina (H1- cancro pancreático colocadas em ratos, conseguindo
H16) e 9 de neuraminidade (N1-N9). É a sua com- inibir ou espalhar da doença.
binação que define o subtipo de vírus da gripe A
expresso, o qual apresentará uma resposta epidemio-
lógica e clínica específica. “Os investigadores modificaram o
Ora, muito recentemente, um vírus da gripe foi
modificado por cientistas no Reino Unido para inibir vírus para este infetar e matar células
o desenvolvimento do cancro do pâncreas. cancerosas sem causar danos colaterais
O vírus da gripe é modificado para conter na sua no tecido saudável, e conseguiram criar
camada exterior uma proteína suplementar que re-
conhece e se liga a moléculas específicas presentes no um método para o libertar na corrente
cancro do pâncreas. sanguínea e atacar células de tumores
Quando entra na célula cancerosa, o vírus replica- noutras outras partes do corpo.”
-se tantas vezes que acaba por rebentar a célula,
destruindo-a. Essas réplicas do vírus espalham-se na
área circundante e repetem o processo noutras célu-
las doentes. Gunnel Halldén indicou que a equipa está “à pro-
De acordo com a equipa liderada por Gunnel Hall- cura de novo financiamento para progredir para
dén, a nova técnica tem potencial para ser usada no testes clínicos num prazo de dois anos”.
tratamento de doentes com esta forma agressiva de Depois de conseguido esse financiamento, demo-
cancro. Esta descoberta foi agora publicada no Bole- rará cerca de cinco anos a determinar se o tratamen-
tim Molecular Cancer Therapeutics. to é seguro e eficaz. Tenhamos esperança que sim…
“Mostrámos pela primeira vez que os cancros pan-
creáticos podem ser combatidos especificamente
com uma forma modificada do vírus da gripe co- Sofia Carrondo
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