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A MEDICINA PERSONALIZADA NO TRATAMENTO
DO CANCRO DO PULMÃO
Encarnação Teixeira
O tratamento dos doentes com carcinoma pulmonar de não pequenas células (CPNPC)
metastático era constituído até há alguns anos, apenas por quimioterapia citotóxica
sistémica com o objetivo de reduzir os sintomas, melhorar a qualidade de vida e
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prolongar a sobrevivência . Isto significava que todas as pessoas com o mesmo tipo de
tumor e estádio recebiam o mesmo tratamento. Era desconhecida a razão das diferentes
respostas.
Na última década, houve uma mudança importante do tratamento do cancro do pulmão,
passando de uma terapêutica empírica onde um tipo de fármaco tratava tudo, para uma
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terapêutica baseada em biomarcadores .
Uma melhor compreensão das vias moleculares que conduzem à doença maligna, levou
ao desenvolvimento de agentes que visam especificamente essas vias, na esperança que
esses fármacos destruam preferencialmente as células malignas, sendo relativamente
inócuos para as células normais . A utilização das alterações genéticas do tumor num
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doente para determinar o seu tratamento é conhecida como medicina de precisão. O
objetivo é propor o melhor plano terapêutico para cada doente tendo em consideração as
características específicas do tumor .
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A terapêutica personalizada começou com o diagnóstico histológico. A maioria dos
avanços ocorreu no adenocarcinoma. O bevacizumab e pemetrexedo demonstraram ser
um tratamento eficaz no adenocarcinoma, mas não no carcinoma de células escamosas
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devido à toxicidade associada ao primeiro fármaco e à falta de atividade no segundo . O
CPNPC passou a ser classificado pelo sub-tipo histológico e pela mutação driver no
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caso de estar presente .
A identificação da ativação oncogénica de tirosina cinases específicas em alguns
CPNPC avançados, principalmente mutações no recetor do fator de crescimento
epidérmico (EGFR) ou rearranjos do gene ALK ou ROS1, levou ao desenvolvimento

