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rev port estomatol med dent cir maxilofac . 2018;59(4):205-214 211
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te a 47,8%, encontrado por Fortes e colaboradores. Estes va-
Discussão
lores podem considerar-se ainda mais insatisfatórios quando
O estudo dos conhecimentos atitudes e comportamentos em se verifica que o consumo ocorre maioritariamente entre as
saúde oral entre os estudantes dos cursos de saúde oral é es- refeições (52,9%). Comparando com os resultados obtidos nos
pecialmente relevante. Sendo estes estudantes os futuros estudantes do 1.º ano dos mesmos cursos (68,1%), verifica-se
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profissionais de saúde oral, serão eles os principais responsá- que houve uma melhoria deste comportamento. O consumo
veis pela promoção e educação para a saúde oral dos seus frequente de hidratos de carbono “entre as refeições” deve ser
pacientes, devendo utilizar, não só os conhecimentos que evitado, pois está associado a uma maior suscetibilidade de
lhes foram transmitidos ao longo do curso, mas também as desenvolvimento de cárie, devido à frequente descida do pH
suas crenças e atitudes, sendo eles próprios modelos para os abaixo do valor crítico, resultando em ciclos de desmineraliza-
pacientes e para a sociedade. 19,20 Desta forma, importa escla- ção mais frequentes. 34,35 É ainda interessante verificar que
recer o impacto da educação e da formação dos profissionais 60,8% dos participantes referiu aumentar o consumo de ali-
de saúde oral na melhoria do seu estado de saúde oral e na mentos açucarados durante os períodos de avaliação. Existe
modelagem dos seus comportamentos e atitudes. Assim, o uma relação bem estabelecida entre a avaliação, períodos de
presente estudo pretendeu caracterizar os comportamentos, maior stress e o maior consumo de alimentos com açúcar, tais
atitudes e estado de saúde oral dos estudantes dos três cursos como chocolate, bolachas e bebidas açucaradas. 36,37 Conside-
da FMDUL, no final do seu 1.º ciclo de estudos, ou seja, após rando que os estudantes universitários estão particularmente
três anos de educação superior. Nos cursos de licenciatura em expostos ao stress, salienta-se também a necessidade de dis-
Prótese Dentária e Higiene Oral, o 1.º ciclo de estudos corres- cutir e abordar este tópico durante a sua formação académica.
ponde ao final do curso. No curso de Medicina Dentária, sen- Tal como seria de esperar, a população do presente estudo
do este um curso de Mestrado Integrado, o fim do 1.º ciclo não apresentou comportamentos positivos no que se refere à visi-
corresponde ao final do curso, faltando mais dois anos de for- ta ao profissional de saúde oral, pois estes estudantes estão
mação para a sua conclusão. num meio no qual o acesso a consultas de medicina dentária
A amostra do estudo apresentou uma média de idades per- e higiene oral é facilitado.
to dos 22 anos, sendo esta expectável uma vez que os partici- O valor médio de HUDBI encontrado foi 8,56 sendo este
pantes do estudo correspondem a estudantes, na sua maioria valor superior a outros estudos realizados em Portugal, no-
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a frequentar o ensino superior há 3 anos, entrando estes estu- meadamente por Albuquerque e por Dias que encontraram
dantes, na sua maioria, com 18 anos no 1.º ano do ensino su- valores de 7,82 e 7,8, respetivamente. Estudos realizados nou-
perior. O número de indivíduos do sexo feminino foi bastante tros países, em populações de estudantes, apresentaram va-
superior ao masculino, correspondendo à distribuição carac- lores bastante inferiores, variando entre 5,05 e 7,13. 17,19,20,29,39
terística dos cursos de saúde. 19,20,29 Também a percentagem É interessante verificar que, quando comparados com os
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superior de estudantes de Medicina Dentária reflete a distri- resultados obtidos por Fortes e colaboradores em estudantes
buição por curso observada na FMDUL. Tendo em conta as do 1.º ano (7,28), as atitudes e comportamentos do presente
características da amostra e que a taxa de participação no estudo revelaram-se mais positivas, levando a crer que ocorre
presente estudo é considerada elevada (81,6%), é aceitável ex- uma melhoria relacionada com a experiência formativa duran-
trapolar os resultados obtidos para toda a população de estu- te o 1.º ciclo de estudos. Outros estudos realizados em popula-
dantes do 3.º ano da FMDUL. ções semelhantes, 9,40 mostram que existem diferenças signifi-
A frequência de escovagem bidiária (98%) foi superior à da cativas dos valores médios do HUDBI entre o início e o fim do
população portuguesa em geral (84,7%) e também superou os curso, verificando-se a mesma tendência de melhoria. Existe
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resultados encontrados por Albuquerque na mesma popula- uma provável influência da aquisição de conhecimentos rela-
ção (85,5%). A frequência de escovagem também foi mais eleva- tivos a atitudes e comportamentos de saúde ao longo da for-
da quando comparada com os resultados de um estudo reali- mação académica e da vivência clínica universitária. 17-20 À
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zado nos estudantes do 1.º ano dos mesmos cursos da FMDUL, medida que os estudantes progridem no curso, tendem a tor-
o qual encontrou um valor de 89,7% e cuja população é, em nar-se mais atentos e conscientes da importância da sua saúde,
parte, coincidente com a do presente estudo, pois foi realizado aumentando a crença desta importância e também da sua au-
três anos antes (ano letivo de 2015/16). Por outro lado, o resul- toeficácia, no que se refere ao controlo dos comportamentos.
tado encontrado foi semelhante ao estudo de Queirós o qual A prevalência de cárie dentária da amostra foi de 97,1%, sen-
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refere uma frequência de 100%. A boa implementação da esco- do superior ao valor encontrado noutros estudos portugueses
vagem bidiária era expectável em estudantes com três anos de realizados em estudantes universitários. 19,24 O valor da preva-
frequência de cursos da área da saúde oral. Por outro lado, a lência de cárie foi também superior ao encontrado no III Estu-
utilização do fio dentário revelou-se baixa, com apenas 20,6% do Nacional da Prevalência das Doenças Orais, no qual a pre-
dos participantes a referir a sua utilização diária. Não obstante, valência encontrada nos indivíduos de 18 anos foi de 89%.
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o valor foi semelhante ao encontrado por Albuquerque, que Apesar da prevalência ser mais alta, o C A-6 POD médio (gravi-
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registou 19,1%, e superior ao de Fortes e colaboradores, que foi dade de cárie) foi de 6,7, resultado semelhante ao obtido nou-
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de 7,8%. A melhoria deste comportamento é essencial para a tros estudos portugueses. 24,41
prevenção da cárie e das doenças periodontais, 32,33 pelo que este A explicação para a prevalência de cárie encontrada no
é um tópico fundamental a reforçar no ensino dos cursos. presente estudo ser elevada relaciona-se com o facto de terem
Cerca de 44% dos participantes afirmaram consumir ali- sido consideradas lesões iniciais de cárie. Por outro lado, a
mentos açucarados “a maioria dos dias”, resultado semelhan- maior prevalência encontrada em comparação com os resul-

