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XXXIX REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS





          Resultados e conclusões: Homem de 41 anos, sem anteceden-  após o pequeno -almoço apenas quando se encontrava a caminhar
          tes patológicos de relevo, encaminhado à consulta de Imunoaler-  para o trabalho, negando queixas se estivesse em repouso. Cos-
          gologia por urticária recidivante. Referia ter apresentado três   tumava comer pão de mistura, manteiga, café e algumas vezes
          episódios de lesões maculopapulares pruriginosas, dispersas pelo   fruta variada. Sem noção de outros desencadeantes. Recorria fre-
          corpo, com duração de horas e resolução espontânea. Negava   quentemente ao Serviço de Urgência e já tinha tido seguida em
          outros sintomas do foro respiratório, gastrointestinal ou cardio-  Consulta de Dermatologia. Os episódios tinham espaçado desde
          vascular, mas mantinha prurido cutâneo durante alguns dias após   que morava mais perto do local de trabalho. Sem antecedentes
          os episódios que resolvia com a toma de hidroxizina 25mg id.  pessoais de atopia ou outros; tem uma irmã com asma. Sem der-
          Não estabelecia relação com nenhum fator desencadeante, mas   mografismo ao exame objectivo. O estudo complementar revelou:
          mencionou que os episódios teriam ocorrido após a refeição, todas   hemograma, bioquímica sérica, velocidade de hemossedimentação
          de sushi. Após estes episódios, mantinha ingestão frequente de pei-  sem alterações; IgE sérica total 2258 UI/ml; testes cutâneos a
          xes, crustáceos e moluscos, sem reação. Negava ter tomado drogas,   aeroalergénios positivos para: Dermatophagoides pteronyssinus
          ter sido picado ou realizar exercício físico intenso nesses episódios.  e Lepidoglyphus  destructor=9mm,  cão=5mm,  pólenes  de
          Realizou testes cutâneos por picada com diferentes peixes, ani-  artemísia=6mm, gramíneas e oliveira=5mm, histamina=11mm; tes-
          sakis, moluscos e crustáceos, com positividade para o anisakis e   tes prick -prick a farinhas positivos para as farinhas de trigo, centeio
          camarão. Do estudo analítico, apresentava ligeira eosinofilia (580   e milho; IgE ω5 gliadina 22.3 kU/L. Foi estabelecido o diagnóstico
          µ/L), IgE total aumentada (1708 kU/L), e positividade nas IgEs es-  de AIEDA, pelo que foi recomendada a evicção da ingestão de
          pecíficas para o camarão (11,7 kU/L), ascaris (1,01 kU/L) e anisakis   farinhas e prescrito kit de auto -administração de adrenalina, não
          (0,85 kU/L). Foi pedida ecografia abdominal (normal) e parasito-  tendo a doente apresentado novos episódios posteriormente.
          lógico de fezes (negativo).                       Resultados e conclusões: Conclusões
          Medicado com albendazol 400mg e bilastina 20mg, foi recomen-  O diagnóstico de AIEDA assenta em critérios clínicos, sendo es-
          dado evitar alimentos não congelados, crus ou mal cozinhados.   sencial o reconhecimento da associação entre a ingestão alimentar
          Apesar de sensibilizado ao camarão, ingeria -o sem queixas, pelo   e o início dos sintomas, quer durante ou após o exercício, bem
          que não fez evicção. Mantém -se sem novos episódios após 6 meses.  como a ausência de reacção quando um dos factores não está
          Apesar da urticária ser uma causa rara de infeção ou alergia por para-  presente.
          sitas nemátodes nos países industrializados, com a difusão do consumo   Este caso ilustra uma apresentação clínica invulgar, em que a hi-
          de peixe cru, a sua prevalência terá tendência a aumentar, devendo o   pervalorização das queixas cutâneas conduziu ao atraso no diag-
          Imunoalergologista estar sensível a esta possibilidade. É recomendado   nóstico de AIEDA.
          que os alimentos sejam ingeridos cozinhados ou em estabelecimentos
          cujo processo de conservação se faça por congelação.
                                                            PO 11 – Síndrome gato ‑porco – uma questão de
                                                            albuminas?
          PO 10 – Anafilaxia induzida pelo exercício dependente   I. Sangalho , S. Palma -Carlos , P. Leiria Pinto 1
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          de alimentos: uma apresentação invulgar           1   Serviço de Imunoalergologia, Hospital Dona Estefânia, Centro
                               1
                         1
                 1,2
          C Ribeiro , M. Alves , I. Alen , A. Morete , A. Todo Bom 1  Hospitalar Lisboa Central, Lisboa, PORTUGAL
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          1   Serviço  de  Imunoalergologia,  Hospitais  da  Universidade  de
           Coimbra, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra,   Objectivo: Introdução: A síndrome gato -porco é rara, ocorre
           Coimbra, PORTUGAL                                em doentes alérgicos ao epitélio de gato (EG) e resulta da reacti-
          2   Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Aveiro, Centro   vidade cruzada entre albuminas séricas (AlbS) de gato (Fel d2) e
           Hospitalar do Baixo Vouga, Aveiro, PORTUGAL      de porco (Sus s1). Geralmente existe uma alergia respiratória a
                                                            EG que precede a alergia alimentar (por ingesta, contacto ou ina-
          Objectivo: Introdução                             lação), o que sugere sensibilização primária à AlbS do gato. Como
          A anafilaxia induzida pelo exercício dependente de alimentos (AIE-  a AlbS é termolábil, o quadro é mais grave quando a carne está
          DA) é uma forma particular de anafilaxia, que se caracteriza por   menos cozinhada.
          uma reacção alérgica sistémica grave desencadeada pelo exercício   Metodologia: Caso clínico: Mulher, 27anos, moçambicana, resi-
          físico, apenas quando este é realizado nas primeiras 2 -4 horas após   dente em Lisboa há 8anos (A). Sempre teve cães e gatos, mas
          a ingestão de alimentos. A AIEDA é dependente da ingestão de   desde que está em Portugal não tem quintal; tem cão há 6A e gato
          alimentos específicos e o trigo é o alimento mais frequentemente   há 3A. Desde a adolescência tem rinoconjuntivite com agravamen-
          implicado.                                        to vespertino e no interior do domicílio, pior desde há 3A. Além
          Metodologia: Caso Clínico                         disso, descreve 2 episódios que ocorreram cerca de 30min após a
          Doente género feminino, 34 anos, referenciada à Consulta de Imu-  ingesta de carne de porco (CP): o primeiro há 6A com edema labial
          noalergologia por episódios recorrentes de urticária desde há 5   e urticária, desde o qual ficou em evicção e o segundo com urticá-
          anos, sem angioedema. Para além das lesões cutâneas, a doente   ria e angioedema após ingesta acidental (croquete). Refere ainda
          salientava também a ocorrência de sudorese e sensação de lipoti-  edema local reprodutível no contacto com CP crua. Os testes
          mia concomitantes. Todos os episódios eram matinais e ocorriam   cutâneos por picada com extractos (aeroalergénios) e em nature-


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                                             REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA
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