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SÍNDROME DE APNEIA DO SONO:
ABRINDO A PORTA PARA O FUTURO
Paula Pinto 1
A síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) é um distúrbio respiratório com
elevada prevalência na população e com enormes consequências a nível
socioeconómico, sendo considerada actualmente um problema de Saúde Pública, na
medida em que as suas repercussões neuropsicológicas propiciam a ocorrência de
acidentes laborais e de viação. Por outro lado, a associação da SAOS a complicações
cardiovasculares, nomeadamente hipertensão arterial, doença coronária e doença
cerebrovascular tem sido apontada como responsável pelo aumento da morbilidade e
mortalidade observada nos doentes com SAOS.
Nos últimos anos tem-se verificado um aumento da prevalência da SAOS, com
estudos apontando para prevalências de SAOS moderada a grave na ordem dos 23,4%
nas mulheres e 49,7% nos homens.
Deve suspeitar-se de SAOS perante um doente obeso com hipersonolência diurna,
sensação de sono não reparador, apneias visualizadas e roncopatia. No entanto, é
importante salientar que, nenhum quadro clínico é suficientemente específico para se
efectuar uma prova terapêutica com ventilação nocturna, nem suficientemente
sensível para se poder excluir a possibilidade de existência de SAOS sem realização
de polissonografia. Assim, todos os doentes com suspeita desta patologia devem ser
orientados para uma consulta especializada, a fim de se fazer um diagnóstico e
tratamento correctos.
No entanto, não existem recursos físicos e humanos suficientes para fazer face a este
desafio crescente, tendo os laboratórios uma capacidade limitada para a realização de
estudos do sono, com uma média de tempo de espera estimada em 6,8 meses para as
instituições públicas portuguesas.
1 Assistente Graduada de Pneumologia do CHLN
Professora Auxiliar Convidada da Faculdade de Medicina de Lisboa

