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XXXIX REUNIÃO ANUAL DA SPAIC / RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES ORAIS E DOS POSTERS
p < 0,001) e da relação FEV1/FVC (mediana de 0,68; P25 -P75: PO 37 – Asma brônquica, rinite alérgica e eczema
0,64 -0,73 versus mediana de 0,77; P25 -P75: 0,71 -0,84, valor p < atópico em crianças de 6 e 7 anos da província de
0,001). Não se observaram diferenças significativas em termos de Luanda, Angola: prevalência, características clínicas e
género, atopia e índice de massa corporal. factores de risco
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Uma proporção relevante de doentes seguidos em consulta de L. Taborda -Barata , M. Arrais , O. Lulua , F. Quifica , J. Rosado-
4,5
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Imunoalergologia tem o diagnóstico de asma grave. Esta será mais -Pinto , J. M. R. Gama 3
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frequente na idade adulta e associa -se com a presença de obstru- 1 Serviço de Pneumologia, Hospital Militar, Luanda, ANGOLA
ção brônquica. 2 Serviço de Imunoalergologia, Hospital da Luz, Lisboa, PORTUGAL
3 Departamento de Matemática, Faculdade de Ciências,
Universidade da Beira Interior, Covilhã, PORTUGAL
PO 36 – Mepolizumab – experiência de um centro de 4 Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar Cova da Beira,
referência Covilhã, PORTUGAL
C. Coutinho , A. Mendes , M. Neto , C. Costa , E. Alonso , M. 5 CICS – Centro de Investigação em Ciências da Saúde, Universidade
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Pereira Barbosa 1,2 da Beira Interior, Covilhã, PORTUGAL
1 Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Santa Maria, Centro
Hospitalar Lisboa Norte EPE, Lisboa, PORTUGAL Objectivo: Avaliar a prevalência de asma brônquica, rinite alér-
2 Clínica Universitária de Imunoalergologia, Faculdade de Medicina gica e eczema atópico em crianças angolanas, assim como os fac-
da Universidade de Lisboa, Lisboa, PORTUGAL tores de risco para a asma, nestas crianças.
Metodologia: Estudo observacional, transversal, usando a meto-
Objectivo: No tratamento da asma grave, além da terapêutica dologia do Estudo Internacional sobre Asma e Doenças Alérgicas
inalada optimizada, é frequente a necessidade de corticoterapia em Crianças (ISAAC), na província de Luanda, Angola nos meses
sistémica diária. O uso regular de corticóides pode resultar em de Agosto a Outubro de 2014 e Março a Maio de 2015 em crianças
efeitos adversos graves e por vezes irreversíveis. O Mepolizumab de 6 e 7 anos. Foram seleccionadas aleatoriamente, por município,
é um anticorpo monoclonal humanizado que inactiva a IL -5 (me- 46 (8,3%) escolas, de um total de 552 escolas públicas primárias.
diador da inflamação eosinofílica), tendo mostrado reduzir o n.º Asma, rinite e eczema foram definidas de acordo com o protocolo
de exacerbações em doentes com asma grave de perfil eosinofíli- do ISAAC, com base em sintomas nos 12 meses prévios. A com-
co quando usado como tratamento adicional. paração de proporções foi efectuada através do teste do Qui-
Metodologia: Analisámos os processos clínicos dos 10 doentes sob -Quadrado ou Teste Exacto de Fischer. Para a caracterização de
Mepolizumab no nosso Serviço. Destes, incluímos apenas aqueles factores de risco ambientais para a asma brônquica, foi usado o
com duração de tratamento superior a 6 meses, pelo que se excluíram Odds Ratio e foi construído um modelo de regressão logística. Os
4 doentes. Todos fizeram 100mg Mepolizumab de 4/4 semanas. Foram dados foram analisados no programa SPSS Statistics, versão 24.0 e
analisados os dados demográficos, quadro clínico, eosinófilos no san- a significância estatística foi definida para um valor de p < 0,05.
gue periférico, função respiratória, terapêutica de base e de alívio e Resultados e conclusões: Resultados: A amostra foi constituída
controlo da asma através do ACT, antes e durante o tratamento. por 3080 crianças com questionários válidos, sendo 52,2% do sexo
Resultados e conclusões: Foram incluídos 6 doentes, com ida- feminino. A prevalência de asma brônquica foi de 15,7%, sem dife-
de média 54±9 anos, sendo 5 do sexo feminino. Todos tinham ri- rença significativa entre rapazes e raparigas. A avaliação da função
nite alérgica e todos estavam medicados com anti -histamínico e respiratória medida por debitometria nas crianças com questio-
ICS+LABA. Apenas um doente não fazia montelucaste. Dois doen- nário positivo para asma brônquica mostrou que 49,4% tinham
tes já teriam cumprido terapêutica com Omalizumab, sem melho- obstrução ligeira, 47,3% moderada e 3,3% grave. A prevalência de
ria sintomática. Com base no ACT, antes do início de tratamento, rinite foi de 19,0% e a de eczema foi de 18,4%, também sem dife-
todos tinham asma não controlada (ACT<20). Ao fim de 6 meses, renças significativas entre sexos. A presença de rinite estava asso-
3 já apresentavam asma parcialmente controlada (ACT 20 -24). ciada a um número mais elevado de episódios de pieira e de tosse
Verificou -se uma diminuição significativa (média – 91,7%) no n.º de nocturna. Em relação aos factores de risco estudados, a presença
eosinófilos no sangue periférico. O FEV1 manteve -se sobreponível de rinite, eczema, a utilização de ar condicionado do tipo Split
nos 2 doentes que fizeram PFR aos 6 meses. Ao fim de 6 meses, como sistema de refrigeração no domicílio, a frequência excessiva
os 2 doentes que estavam sob corticoide sistémico diário reduzi- da toma de paracetamol, a toma de antibióticos no primeiro ano
ram a sua toma a dias alternados. Nos restantes que faziam ciclos de vida, a passagem frequente de camiões na rua do domicílio, a
frequentes, verificou -se diminuição da necessidade de corticóide presença de animais como gato no domicílio, assim como o taba-
bem como do n.º de exacerbações. Em relação aos efeitos adver- gismo passivo sobretudo da mãe, estavam associados a um risco
sos, houve apenas referência 2 casos de mialgias que reverteram mais elevado de asma brônquica.
com a administração de magnésio. Conclusões: A asma brônquica, a rinite alérgica e o eczema ató-
O Mepolizumab foi bem tolerado na maioria dos doentes, com um pico são um problema de saúde pública em Luanda, uma vez que a
bom perfil de segurança. Verificou -se uma diminuição da depen- prevalência destas doenças em crianças é relevante. Medidas pre-
dência de corticóides sistémicos bem como do n.º de exacerbações ventivas e de controlo, assim como a acessibilidade a assistência
em todos os doentes. médica e medicamentosa destas crianças devem ser uma prioridade.
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REVIST A POR TUGUESA DE IMUNO ALERGOLOGIA

