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2 EDITORIAL
Passados oito anos desde a sua aparição em ter os seus dias contados, tudo graças à nano‑tec‑
Portugal a vespa‑asiática (Vespa velutina) pode nologia.
Nano -tecnologia na caça à Vespa
Velutina
A Vespa Velutina oriunda do Sudeste Asiático che- capacidade financeira de quem contrata a destruição
gou à Europa em 2004, julga -se que por via maríti- dos ninhos, recorrendo -se ao fogo ou a inseticidas
ma. Em Portugal este inseto foi detetado em 2011, aplicados nos vespeiros. Um combate desigual face
em Viana do Castelo e a partir daí, nunca mais parou à propagação rápida deste inseto.
de crescer tendo sido já detetada em algumas regiões Tudo isto pode estar prestes a mudar, pois o Insti-
do sul do país. tuto Ibérico Internacional de Nanotecnologia, situa-
A vespa asiática levou a quebras na produção da do em Braga, desenvolveu a partir de um polímero
apicultura portuguesa entre os 5 a 10%, segundo em gel, umas pequenas esferas que são envolvidas
dados avançados pela federação nacional do setor. numa mistura de proteínas com os aromas que
Mais pequena do que a vespa europeia, os ninhos atraem as vespas.
podem conter mais de 2000 indivíduos, e destes, 150 Como é sabido, a vespa corta a cabeça e as asas da
irão formar pelo menos 6 novos ninhos no ano se- abelha e leva o corpo para o vespeiro. A ideia é
guinte. convencê -las de que este petisco semelhante ao corpo
Na Ásia, as abelhas aprenderam a defender -se das de uma abelha é melhor para as suas larvas comerem.
vespas de uma forma muito simples. Sempre que Segundo a equipa coordenada pelos investigadores
uma colmeia é invadida, as abelhas cercam o preda- Miguel Cerqueira e Lorenzo Pastrana, estas bolas de
dor formando uma bola em volta deste, batendo as cor amarela não passam, no entanto, de um Cavalo
asas para criar calor que atinge os 41 graus centí- de Troia, uma vez que se pretende introduzir nelas,
grados, matando a vespa que apenas suporta até um agente biológico, como um parasita desta espécie
40 graus. ou mesmo um inseticida que levará à destruição na-
Esta é uma técnica que as abelhas europeias não tural do ninho das vespas. Ou seja, a eliminação do
conhecem, sendo dizimadas aos milhares. O comba- ninho passa a ser feito pelas próprias vespas.
te atualmente é feito em função do empenho e da Seja qual for a opção escolhida, esta terá que ter
sempre em conta alguns fatores, como a sua eficácia,
a minimização dos efeitos para o ambiente, bem
como os inerentes custos.
Este desafio lançado em 2016 ao Instituto Ibérico
Internacional de Nanotecnologia parece agora ter
asas para voar, estando agora em fase de testes.
Liderado pelo INL, este projecto tem como parcei-
ros a TecMinho – Associação promovida pela Uni-
versidade do Minho e a Associação dos Municípios
do Vale do Ave – a Apicave, bem como a Federação
Nacional dos Apicultores de Portugal.
O Arma4Vespa foi financiado pelo Programa Apí-
cola Nacional do Instituto de Financiamento da
Agricultura e Pescas (IFAP) em cerca de 150 mil
euros.
Este projeto pode assim constituir uma nova espe-
rança para a apicultura portuguesa e mundial, redu-
zindo uma das ameaças com que os apicultores se
deparam no seu dia -a -dia.
António Simões
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